Muito prejudicial é
a utilização de prefixos usados antes da palavra
psicossomática. Prefixo constitui o exato, preciso,
fixado e sobretudo o determinado antes. Este significado se
contrapõe ao processo do homem caracterizado por sucessão
de estados ou de mudanças que se transformam, em sua
evolução, a cada instante.
Em certa oportunidade, em palestra fora de
São Paulo, ouvi de interlocutor protesto pelo uso exclusivo
do prefixo socio. Defendia, pela sua procedência, o
prefixo geo, particularizando a localização
de sua própria existência, como se fora a sua
cidadania, como direito.
Os prefixos geo, socio, político,
cultural, etc., usados antes da palavra psicossomática
constituem referências do imenso mundo externo do processo
do homem. Acontece que o universo da pessoa não é
constituído somente pelo mundo externo, que representa
a realidade, o seu lado de fora, a situação
geográfica, as mudanças climáticas, as
variações das ingestões alimentares,
etc., mas também o seu mundo interno, o seu Eu, a sua
cidadania com responsabilidade, caracterizada pelos instintos,
afetos, idéias, fantasias, etc.
O clínico, ao lidar com seus pacientes,
não pode, ao considerar a estória da vida de
cada um, ser levado por prefixos, nem para fora e nem para
dentro do seu universo. É falha imperdoável
observar o processo do homem de um só lado.
Importa ter sempre presente em cada situação
de vida, o interjogo contínuo dos dois mundos, pois
é assim que o indivíduo procura se adaptar à
realidade. A técnica para descoberta do significado
do aspecto dominante será objeto de outro artigo.
Fundamental é a descoberta pelo paciente
do cerne dos mecanismos mentais, os seus conteúdos
e significados e não prefixos, rótulos de qualificações
simplistas sem funções aditivas.
Ater-se aos prefixos faz lembrar metodólogos
que permanecem o tempo todo limpando os vidros de seus óculos,
com tanto escrúpulo, que não lhes sobra oportunidade
de olhar através deles.