34 - Violência, busca
e Esperançanos Grupo, nas Instituições
e na Sociedade
Introdução
Na medida do possível, o intento é
não ser repetitivo e maçante ao fazer referncias
à violência em aspetos conhecidos, sobretudo
nas instituições e na sociedade. O propósito,
mais importante da violência seria descobrir suas origens,
seus traçados e, antes de sua explosão, o que
poderia ser feito para evitá-la.
Violência nos Grupos
A experiência analítica grupal,
pelo desenvolvimento da percepção e da perspicácia
pode atenuar a violência, evidenciando que nem tudo
sucumbe ao aniquilamento. Acrescente-se a interpretação
fazendo emergir as modalidades de conflito e conseqüentemente
o desejo, eventualmente agressivo, que se formula em qualquer
produção do inconsciente.
Fragmentos de sessão grupal com oito
integrantes, cinco mulheres e três homens, em processo
evolutivo de três anos, um deles, Antonio conta um sonho:
"deitado na cama, alguém vem por traz, de forma
violenta; vislumbro, olhando de lado, a imagem de uma pessoa".
Souza: Devo proteger-me
das pessoas deste Grupo, que estão ao meu lado. Felícia: Sinal de alerta para mim!
Sonia: Não ligo para as idiotices
do Souza... Beatriz: Ele não é flor que
se cheire! Margarida: Cuidado porque ele ameaça
pelas costas! Afrânio: Ele me parece dócil
e muito receptivo. Felicia: Eu não vou nessa onda de
piégas.
Silêncio
Antonio: Eu sonhei e vocês
falam, como um repetindo o outro. Como português que
sou, posso lhes dizer que há uma garatéia neste
Grupo! Sonia: Eu não entendo o que você
fala! Margarida: Como também não
ouve porque ele te parece distante como daqui a Portugal.
Felícia: Que complicação.
O que é isso, Antonio? Antonio: Não é flor que se
cheire, como disse Beatriz. Afrânio: o Antonio parece o Toninho
Malvadeza provocando intriga no grupo. Miriam: Novamente este Grupo briga. No fundo
eu sinto alguma violência aqui. Que coisa! Souza: Parece que só a Miriam está
percebendo.
Silêncio
Felícia: Estas pausas
me fazem mal. Socorra-me, Dr. Capisano. Onde vamos parar!
Analista: Acusam-me de violento ameaçando-os
pelas costas. Outros me sentem benevolentes e receptivos.
Receiam-me como algo perigoso: uma garatéia ou uma
fateixa -instrumentos qualificados como busca de vida para
recolher objetos que se perdem no fundo do mar, em outras
palavras todos receiam o que vou buscar no inconsciente genuíno
do Grupo senão impulsos agressivos derivados de conflitos
com temores de violência, quando nesta sessão
o grupo progride, é direto no que sente, vai ao fundo
e luta pela vida.
O processo grupal é dinâmico.
Quando caminha para desintegração, em níveis
psicóticos, através do pedido de socorro de
Felícia, o analista, com sua interpretação,
repõe a integração, devolvendo com esperanças
a vida Grupal.
É nessa dialética integração-desintegração,
na qual as fantasias se desenvolvem, permite maior conhecimento
para as pessoas que integram o Grupo.
Para se perceber que esse Grupo dispõe
de uma rede de numerosas identificações cruzadas,
mostrando-se regredido e em parte psicótico, o Grupo
põe em evidencia fantasias que causam espanto, mas
há entre eles observadores, com referenciais adequadas,
para denunciar a crise, colocando o analista, não para
curar insanidades, mas abrir caminho para o Grupo voltar a
integrar-se.
Configura-se nesse Grupo grande violência,
ao se ligar um fio apanhando o acme de todas as associações.
Esse cenário é constituinte habitual do trabalho
de Grupo.
Em tese, estão presentes, manifestações
contra a realidade, colocando o analista com suas tendências
narcisicas, aceitando papel de onipotente salvador. Seria
aceito, como fato do Grupo, esse poder autoritário?
Como critica, poder-se-ia afirmar, que a regressão
grupal conduziu a desindividualização de seus
integrantes?
Indaga-se neste fragmento de sessão:
se ocorreu violência no Grupo, também não
teria ocorrido o mesmo com o analista?
Outros aspectos de violência
nos Grupos
Os pacientes podem escolher o seu analista,
mas não, integrantes do Grupo, os seus parceiros. Essa
perda de liberdade e violência costuma atenuar admitindo
qualquer pessoa que tenha interesse em sua participação.
Não efetuo nenhuma entrevista prévia e não
faço qualquer seleção. Essa tarefa será
executada pela seqüência da evolução
grupal; o interessado poderá permanecer ou sair do
Grupo, sem interferência do analista. A seleção
é o Grupo, quem a faz.
Talvez, tenha interesse em diminuir a violência
do ingresso do paciente, que não escolhe os seus parceiros,
como não mostrar minha autoridade pela sua seleção.
É possível, com esse procedimento escamotear
a violência, mas, não sei até agora como
evitá-la.
Tenho me manifestado, seguidamente, contra
modelos, perfis, padrões, tipos, redes, etc., onde
autores, ao repetirem, os "supostos básicos"
de Bion (4) ou os referentes de Green (2) praticam violência.
Claro, que progredimos no conhecimento de inúmeros
postulados desses autores, que podem nos permitir hipóteses
fecundas. Cabe-nos saber da necessidade que temos de recorrer
a quaisquer autores, estabelecendo limites, utilizando confrontos,
emitindo suposições numa visão multifocal.
No fundo, cada analista experimentado, no exercício
de suas funções, abandona tendências de
orientação, teorização, etc. para
ser ele próprio em sua experiência de vida, com
todas as suas imperfeições, no lugar de pretensas
exatidões de "algures e nenhures". Estamos
nós, diante de nossos Grupos, e, não Foulkes,
Slavson, Wolf, Bion e muitos outros, sem perder respeito aos
avanços das postulações teóricas
de todos sobre Psicoterapia Analítica de Grupo. Em
síntese, repeti-los, ao pé da letra, constitui
violência grupal.
Procedimento de singular agressividade é
de autoria de Franco Filho (6). Vamos enumerar os seus infelizes
disparates:
1. "Ilusão da presença
de um ente grupal".
Reconhece-se, quando ligamos por fio imaginário, todas
as associações de paciente, em processo bi-pessoal,
como uma alucinação. Repetimos esse procedimento,
unindo as associações, que fazem os integrantes
de um grupo; uma pessoa, ao desenvolver, conexões sinápticas
constituídas por mãe, pai, irmãos, tios,
avós, etc. tem ilusão que todo indivíduo
é um grupo. A alucinação de ente mental
pessoal, bi-pessoal, familiar e grupal não constitui
ataque à realidade, não sugere distorção
de percepções psicóticas e não
fere o desenvolvimento psíquico.
Se o Grupo existe e subsiste fora de sessão
no imaginário de seus membros, o processo analítico
bi-pessoal analista-analisando não desaparece no intervalo
das sessões, na ilusão de ambos.
2. "O espaço
da relação com o psicoterapeuta realiza uma
intimidade frustrada, porque é sempre espaço
partilhado com os outros".
Como se na relação analítica bi-pessoal
a frustração não ocorre, no que respeita
ao compartilhamento social. Por outro lado, sem intimidade,
sem qualidade de intimo, sem estar muito dentro, quem não
atuar no interior do outro não se submete nem à
Psicoterapia Analítica Grupal e nem a Psicanálise!
Toda composição grupal, como a bi-pessoal, se
efetua com riscos e ambas oferecem perigos para todos, a semelhança
de qualquer atividade humana, mas utilizar Fliess e Freud
para ridicularizar o Grupo como "passa- tempo" é
uma violência!
3. "O antes e o depois
de sessão grupal, quando pacientes se reúnem
sem o analista, manipulando-o".
Constitui outra critica inoportuna, porque psicoterapeuta
analítico grupal experimentado sabe distinguir conteúdo
da fachada dos mecanismos mentais do Grupo, ao querer conduzi-los.
4. "O controle sensorial
é difícil de ser avaliado".
A experiência de quem lida com grupos, o estar em continua
observação, é bem diferente da experiência
do principiante, que sempre faz essa pergunta!
5. "As reações contra-transferenciais
nem sempre de fácil solução"...
"se dão sob pressão"... "é
desafio à saúde mental do terapeuta"...
"não é por acaso que boa parte dos terapeutas
venha a abandonar a forma grupal de atendimento" são
observações de Franco Filho (6).
Há um número ponderável
de analistas qualificados por Institutos membros da International
Psychoanalytical Association para analise bi-pessoal, os quais,
por extensão, se qualificam como Psicoterapeutas Analíticos
de Grupo sem passarem, entre outras exigências, como
alunos, pacientes comuns em um dos grupos de Professor Analista
Didatas de Instituto de Ensino. Para outros pormenores recomenda-se
a leitura da pagina 9 do livro "Psicoterapia Analítica
de Grupo" (1) .
6. "Campo minado."
O campo da Psicoterapia Analítica de Grupo pode ser
minado por inábeis, que não suportam a contratransferência
dos pacientes, abandonando essa extraordinária conquista
por falta grosseira de habilitação profissional.
7. "O processo é
mau negócio."
Expressão usada por Bion(5) e repetida por Franco Filho(6)
provando sua falta de originalidade e inépcia.
Registre-se o maior e o mais violento ataque
publicado contra a Psicoterapia Analítica de Grupo.
Esperança da Genética no Alivio
da Esquizofrenia
Em nossos dias, componentes genéticos
estão presentes na esquizofrenia e na doença
maníaco depressiva (doença afetiva bipolar).
A esquizofrenia é doença mental
caracterizada por delírios, alucinações
e pensamento fragmentado.
A doença maníaco depressiva
ou doença afetiva bipolar revela episódios intermitentes
de grande aumento do humor e hiperatividade alternados com
episódios de perda da energia e da motivação.
Os dois distúrbios estão presentes,
em percentagens mais altas, entre parentes de gêmeos.
A probabilidade de ambos os gêmeos serem afetados é
de 30 a 50% nos idênticos (monozigóticos), mas
apenas 10% em gêmeos fraternos (dizigóticos).
A incidência mais alta para os gêmeos
idênticos se mantém para os gêmeos criados
separados, bem como para os criados juntos.
A incidência fraterna de 10% é
semelhante à dos irmãos não-gêmeos,
mas é ainda mais alta que a freqüência na
população geral.
O achado constante que apenas 30 a 50% dos gêmeos monozigóticos
de esquizofrênicos tem esquizofrenia indica que fatores
não genéticos também são importantes.
A esquizofrenia provavelmente resulta das ações
conjuntas de muitos gens, cada um dos Quais faz apenas pequena
contribuição.
Os riscos durante a vida de desenvolver esquizofrenia
ocorrem em função da proximidade do relacionamento
genético com um esquizofrênico e não uma
função da quantidade do ambiente compartilhado
(Groves e Rebec (3).
Parentesco
Parentesco
Genético
Risco
Gêmeo idêntico
100%
46%
Prole de 2 pacientes
-
46%
Gêmeo fraterno
50%
14%
Prole de 1 paciente
50%
13%
Irmão
50%
10%
Sobrinho(a)
25%
3%
Cônjuge
0%
2%
Pessoa não apresentada
na população geral
0%
1%
Os riscos observados são mais compatíveis
com uma teoria de transmissão poligênica multifatorial
que com um modelo mendeliano simples ou um que envolva lócus
único principal. Todavia, as pesquisas genéticas
constituem grande esperança para redução
da incidência da esquizofrenia e da doença afetiva
bi-polar.
Porque nos odeiam tanto?
Em escola da periferia de São Paulo
com 2.400 alunos matriculados em 3 turnos dispondo de 2 inspetores
para grupos de 800, ocorrendo 7 brigas por dia entre alunos,
destacamos 2 tipos de perguntas:
a) de um aluno a professor: "O senhor
tem seguro de vida?", b) de um professor: “Porque nos odeiam
tanto?”.
Entre diversos episódios desenvolvidos,
chamam atenção: uma caixa com pombas mortas
a pontapés, desligamento do quadro de luz e força
de toda escola, aberturas de hidrantes, alagando-a, rosto
de um aluno cortado por prego, cadeiras e carteiras quebradas
todos os dias, arrombamentos, depredações, explosão
de bombas, quebra das vidraças, etc. em escola, onde
o regime de progresso continuado permite aprovação
somente por freqüência às aulas, resultando,
no futuro, alunos no curso colegial que mal sabem escrever.
Movimento dos pais, já surgiu no Brasil,
onde preferem manter seus filhos pequenos longe das escolas.
A preferência é ensinar em casa, onde filhos
ganham confiança, capacidade de pensar, caráter,
honestidade, respeito e qualidade de aprendizado. O sistema
caseiro de ensino obriga um dos cônjuges abrir mão
de trabalhar fora, com ajuda do outro, no tempo disponível.
Os filhos, simultaneamente, freqüentam e praticam esporte
diariamente em clube seleto e, ao mesmo tempo, fazem parte
de sociedades recreativas com jogos e danças duas vezes
por semana.
Apesar dessas providências complementares,
psicólogos, sem nunca acompanharem essas crianças,
manifestam-se, teoricamente, com ares doutorais: "a situação
de convívio entre estranhos dá a percepção
da necessidade de ceder ou se impor diante de outra pessoa
ou até mesmo suportar situações desfavoráveis,
com uma gozação no colégio" ou "essas
crianças trocarão menos com seus pares"
ou "é regulamentar a exceção",
ou "estudar em casa é não ter vida social"
ou ainda palavras do Ministro do Supremo Tribunal de Justiça,
Peçanha Martins, manifestando esta pedra preciosa:
"não vejo aí fumaça do bom direito".
Como asseguramento às crianças
ao direito à educação é letra
morta, o artigo 227 da Constituição Federal
afirmando, que é "dever da família, da
sociedade e do Estado assegurar à criança o
direito à educação”, recomenda-se
jogar ao lixo o que não é usado. Substitua-se
essa mediocridade por "cabe aos pais, prioritariamente,
o direito de escolher o tipo de educação que
querem dar aos seus filhos" - artigo 26 da Declaração
Universal dos Direitos Humanos, da qual o governo brasileiro
é signatário.
Se os pais forem bons, carinhosos, meigos
e tolerantes, as crianças sentir-se-ão perdoadas,
vivendo saudavelmente, sendo predominantemente amorosas com
seus professores.
Se os pais foram agressivos, indiferentes,
omissos os filhos, não obtendo perdão em seus
atos, serão delinqüentes, gatunos, criminosos,
vivendo como infelizes, tendo predominantemente ódio
aos seus professores.
O crime, segundo Miller de Paiva(7) tem aumentado
de acordo com o país, região urbana ou rural,
situação econômica, social e cultural
em 80% de indivíduos, filhos de pais não afetivos,
agressivos ou ausentes. Importa investir no desenvolvimento
dos seres humanos desde a mudança do estado primário
para um estado em que a percepção objetiva não
é apenas processo de crescimento, mas de mínima
provisão ambiental, permitindo caminhar da dependência
em direção a independência.
O jovem de hoje é comunicativo, de
ação, se faz sentir no mundo todo e, ao enfrentá-lo
necessita da realidade, que lhe chega pela confrontação
pessoal.
O jovem ao passar por processo de contenção,
que é em si salutar, possuindo sua própria força,
encontra no adulto um desafio. Inquieta-se, expressa-se, produz
modificações na sociedade dando novos olhos
ao adulto para ver as transformações, mas dele
necessita, nesse desafio, para usar a realidade.
O adulto necessita dos olhos do jovem para
ver o mundo de hoje e o jovem precisa da experiência
do adulto para sentir a realidade.
Pais, Mídia e Cinema irresponsáveis
geram violência
Os pais responsáveis por educação
exageradamente permissiva criam jovens delinqüentes e
perversos que violentam bares da moda, condomínios
fechados e colégios de prestigio.
Crises familiares repetidas dão origem a pais da geração
transgressora, onde a falta de amor coroe a alma, fertiliza
o egoísmo, a omissão e a irresponsabilidade
dos jovens.
A vacuidade de sentimentos, o comodismo,
a inexistência do exercício da paternidade, os
pais materiais e amorais compensam a própria insanidade...
dando dinheiro, roupas da moda, carro, celular, viagens de
recreio com espetáculos internacionais, etc.
O exagero da liberdade confere jovem irresponsável,
sem vergonha, sem culpa, sem solidariedade e arma de fogo
pode se tornar moeda corrente, como se vê no cinema.
Esse vandalismo de pai e mãe custa
muito caro e a sociedade paga preço e sacrifício
altíssimos.
A integração da família
na escola durante 3 horas, uma vez por semana e não
duas vezes por ano, fortalece, enriquece e permite o pensar
da tripeça jovens-pais-professores, sem cobranças
recíprocas, mas a procura de propostas consistentes
e duradouras, porque sem programa firme, ao longo do tempo,
é fogo fátuo.
O cinema e a mídia, forças
avassaladoras do entretenimento, com poder sugestivo impressionante
e grande energia destrutiva da autocrítica impõem
filmes e programas sem ética, explorando sucessos com
desvios de comportamento, incentivando paixões humanas,
manipulando conceito e liberdade artísticas, promovendo
delírios de alucinações em auditórios
com sucessão de quadros de terrível humilhação
das pessoas, não como seres humanos, mas instrumentos
de espetáculos, que dão renda aos exploradores.
O saldo de uma geração perdida sem capacidade
de pensar, irresponsável e vazia engorda o ego e o
bolso de “empreendedores” criminosos, responsáveis
pela maior violência social.
Pena de Morte
O homem concede, a si próprio, o direito de suprimir
a vida de seu semelhante com poderes de onipotência,
onipresença e onisciência superior a Deus.
A indiferença, gravíssimo problema
humano, caracteriza insensibilidade moral a quaisquer episódios
ou assuntos da vida comum.
As contestações surgidas em
Ilinois mostram a absorvição de 13 condenados
à morte sobre 12 executados. As sentenças imprudentes
e irresponsáveis multiplicadas, além da pobreza
dos réus.
O desprezo ao próximo se deve a falta
de percepção, perspicácia, sentimentos
de amor e ódio. É possível mudança,
se juízes tiverem a coragem de apertar o botão
da morte, ver e ouvir os gritos lascinantes dos eletrocutados,
antes de suas decisões burocráticas e perversas
emitidas entre quatro paredes!
Os teóricos e indiferentes dos labirintos
judiciários não possuem noção
de tempo e brincam como crianças concedendo direitos
a indenizações na ordem de noventa mil dólares
por ser humano absorvido! Perry Cobb, um dos beneficiados,
declara: “não me dêem dinheiro, devolvam-me,
isto sim, o tempo perdido, anos e anos a fio, meus filhos
clamando envergonhados tendo como pai como assassino durante
os cursos: primário, secundário e superior!!!”
George W. Bush tem o registro de 134 pessoas
executadas em seu Estado, o Texas, ao lado de testes do D.N.A.,
mostrando inocência de oito condenados à morte,
libertados depois de 12 a 18 anos, passados no “corredor
dos desgraçados”.
A indiferença é perversão moral de malíssima
índole dos analfabetos morais! “Fiat justitia
ne perat mundus” - faça-se justiça para
que o mundo não se aniquile.
O Reverso da Pena de Morte
Sem elos com o passado massacrante, sem criticas ao que se
passou, ajuda à comunidade, como processo universal
e irreversível, deve ser objetivo comum do ser humano.
Impõe -se nova dimensão moral
e ética onde o passado deva ser porta aberta e não
parede de reajustes.
Os rios transbordam como pessoas cheias de
ódio, mas o mar derrama-se de alegria, como aqueles
ricos em amor.
Um coração não é mais cheio do
que um coração partido, porque este, quando
não tem mais esperanças, inventa-as.
O homem revoltado merece ser acolhido para
que possa entender-se, assim, como Jesus manifestou seu desagrado
a Deus, quando disse: "Pai, porque me abandonastes".
Homens protestando contra ou a favor, estão sempre
com Deus, como nós, com nossos semelhantes, poderíamos
ajudar, pelo menos, uma pessoa abandonada, não superficialmente,
mas com firmeza na tarefa de execução desse
compromisso.
A violência nunca chega ao fim, quando
se matam no Sudão, em 10 anos, dois milhões
de crianças. A distância com esse país
nos coloca em indiferença, comoção que
a mídia traduz, aos olhos ingênuos, como espetáculo.
Democracia Que não assegura
Direitos da Constituição é Ditadura Violência
Que democracia é essa, onde seus habitantes
vivem em suas casas, presos em gaiolas, criminosos, soltos
às ruas, em liberdade e policiais, em suas práticas,
nos quartéis?
Desde 1.789 a Constituição
francesa garantia à sociedade direitos indiscutíveis
como liberdade e propriedade, inscritos na Declaração
de Direitos do Homem.
Pela Constituição brasileira,
ao longo de suas reformas, o homem vai perdendo o conteúdo
de seus direitos, à medida que o esquerdismo, em sua
pior acepção, vai se deteriorando. Assim, na
Constituição de 1891 lê-se "O direito
de propriedade mantém-se em toda sua plenitude".
Em 1.946 surgiu o primeiro insulto: "salvo desapropriação
por interesse social." Culmina com ameaça ao direito
de propriedade em 1.988 inserindo: “justa obrigação
de respeitar a função social."
0 Estado vai avançando, aos poucos,
tirando os Direitos do Homem, que ele concedeu em 1.532 com
o sistema das donatarias, quando das Capitanias Hereditárias,
vigentes até o século XVIII.
Portugal para defender-se de ameaças
de contrabandistas estrangeiros, sobretudo franceses, entregou
gratuitamente terras a particulares no processo de colonização
do Brasil. Assim, criaram-se vilas, para inicio da vida econômica,
social e administrativa a partir da Vila São Vicente,
em 22 de janeiro de 1.532 através da expedição
de Martin Afonso de Souza.
Hoje, são passados 469 anos, o quatrocentão
deixou de sê-lo e o quinhentão ainda não
o é. São os beneficiários de grandes
glebas de terra, que foram transmitido-as para gerações
sucessoras, como também vendedores, tornando-se ricos,
poderosos sem gastarem um vintém e donos de todas as
cidades do país.
Ao longo dos anos, a ganância acompanhando
a valorização desenfreada da terra nas grandes
cidades brasileiras prejudicou o cidadão comum. Para
ter o seu terreno, construir sua casa, demanda muitos anos
de trabalho e sacrifício. Paga onerosamente o seu lugar
para morar.
0 donatário é o senhor que
recebeu uma doação de terra muito diferente
do cidadão que pagou, em dinheiro, essa mesma terra.
Surgem as grandes transformações!
0 Estado brasileiro assume atitudes completamente diferentes
de Portugal. Em relação àquele homem
de tem um pedacinho de terra, se comporta como bandoleiro,
contrabandista, invasor como foram os franceses na colonização
proposta por Portugal. Instala-se a Ditadura da Violência!
Assim, os tributos pagos todos os anos, por um pedaço
de terra crescem de forma alarmante e, a cada nova Constituição:
1891,1946 e 1988 as ameaças vão crescendo, agora
a qualquer pretexto social.
É hipocrisia alguém afirmar que não defende
o direito de propriedade em causa própria. Porque negar
esse direito? Medo? De quem? Dos dirigentes "anônimos"
e das importâncias em dinheiro oriundas do país
e de potencias estrangeiras que governam o MST? Dos baderneiros,
utilizados como instrumentos pagos para, do Norte ao Sul do
país, executar invasões de propriedades, produtivas
ou não, discutir reforma agrária, privatizações,
globalização, tipo Stédile, tipo Bonet
da França e muitos outros glossadores? O intuito não
é outro senão de provocar conflitos sangrentos
com policiais, extrair um mártir, tipo Che Guevara,
para marcharem como soldados mercenários até
Brasília com o propósito de derrubar o Governo!!!
O brasileiro parece acreditar em tudo até
em bandidos armados, uma vez que eles pertencem à tirania
dos modismos. Existe uma cultura sem consistência, banalizadora,
descompromissada, altamente tolerante, unanimidade burra,
despersonalizada, sem ética e sem moral!
Essa é a Ditadura da Violência
onde o sigilo bancário entrava avanço de investigações
para a descoberta de quem ganha dinheiro com o crime e os
legisladores retardam indefinidamente os projetos que regulamentam
e proíbem a venda de armas no Brasil.
O presidente da República em pleno
regime democrático, e, sua esposa D. Ruth teve seus
carros roubados em São Paulo e no Rio de Janeiro, o
escritório particular na Rua dos Ingleses, na capital
paulista, assaltado duas vezes. Estão em contra senso
vivendo na Ditadura da Violência!
Não entendemos punir o consumidor, não percebemos,
não sentimos, somos indiferentes porque compreendemos
mal o liberalismo?
Violência na Literatura?
Quando li pela primeira vez "Grande
Sertão: Veredas" do mineiro da região do
cerrado João Guimarães Rosa, que nos deixou
há pouco mais de 30 anos, pouca coisa entendi por ser
uma obra difícil de ser acompanhada. Acostumado a narrativas
de seqüências, encontro um autor confuso que não
segue trajetória, dispondo acontecimentos recentes
confundidos com antigos, numa ida e volta cruel sem estrutura,
com dificuldades de pensamento, de moral, de inferno, de religião,
de Deus, ao lado de fatos lingüísticos desafiantes,
arrasando a gramática.
"A gente somos", "trapatava",
etc., parecem ser delírios imaginativos de palavras,
alterando formas, advérbios a partir de substantivos
e não de adjetivos como "milagremente" ou
"coraçãomente" e assim por diante.
Uma criatividade com visão ampla da língua,
mas com obsessão pela originalidade lançando
8.000 termos, hoje postos em dicionários.
Uma violência onde o escritor fez do
verbo o seu cenário, procurando caracterizar os seres
e suas ações, mesmo com emprego insólito,
surpreendente a ponto de superar a própria língua
portuguesa.
Violência de brasileiro
Acredito ser violência quando um brasileiro
se mete onde não é chamado: José Saramago
e Antonio Lobo Antunes na historia secreta da conquista do
Premio Nobel da Língua Portuguesa.
Não vou entrar nesse mérito!
Como tema é violência será que "exortação
aos Crocodilos" de Lobo Antunes é hino à
violência, à demência, à covardia,
à mesquinhez, à hipocrisia, à ganância
e à vacuidade dos sonhos medíocres, como nos
conta Adelto Gonçalves, doutor em literatura Portuguesa
pela Universidade de São Paulo?
Não me atreveria admitir, na leitura
de um matutino de S.Paulo, que a classe media lisboeta está
em decadência. Sentar-se à mesa bebericar uma
imperial, conversar com velhos funcionários públicos
ou cinqüentões desempregados, ouvir uma piada
infame, estaria havendo uma corrida para compra de terrenos
na fronteira com a Espanha, de onde se avistaria o Atlântico
porque Portugal estaria para se afundar, seriam escritos de
Lobo Antunes?
Irritadiço no trato com críticos
literários é médico psiquiatra, hoje
longe da profissão, escreve o que bem entende parecendo
estar distante da coerência e da responsabilidade. Excêntrico,
pondo contradições em seus livros, indago o
titulo poema ou poesia ou serei o leitor que não sabe
ler? Lobo Antunes "vende" um Portugal que não
acredito, projetando-o como país sem futuro, fechado
em seu mundo de colonizador não aproveitando oportunidades
da Historia.
Não Lobo Antunes, mas seus personagens,
o que vale é o mesmo, são valores da liberdade,
da democracia, da cultura, do progresso no começo dos
anos 70. Passada a euforia da Revolução dos
Cravos, a queixa dominante é que despacharam Lobo Antunes
e sua geração para uma guerra estúpida
a se julgar pelos personagens que se refletem na memória
de Maria Clara, feiosa e mal amada do livro "Não
entres tão depressa nessa noite escura".
Posso dizer, a todos os presentes,
que já estou saindo!
Há cem anos
Telegrama vindo de Lisboa e chegado ao jornal "O Estado
de São Paulo" no dia 15 de abril de 1901.
noticia terem tentado incendiar o convento
de Jesus em Aveiro, jogando com fim criminoso alcatrão
às portas do convento e lançando-lhes fogo.
As chammas começaram a lavrar, sendo extinctas pelos
vizinhos, auxiliados pela policia. Esta procura descobrir
os auctores do crime.
Esperança
A grande esperança é estimular
confiança para o paciente psicossomático, em
psicoterapia analítica de grupo, ganhar energia para
usar sua mente enfrentando toda experiência emocional
porque a percepção, os sentimentos, o que ouve
e o que fala fazem parte dele.
A maior violência humana é a
indiferença frente às dificuldades que temos,
e, quando não há mais esperanças devemos
inventá-Ias.
Ajuda deve ser universal, àqueles
que são a favor ou contra Deus, porque estão
sempre com ELE, como Cristo, em seu imenso sofrimento: "Pai,
porque me abandonastes?".
O homem deve ser como o mar rico em idéias
e não pobre como os rios que transbordam imprevidência,
incapacidade e analfabetismo moral.
O homem, ao pretender ser criativo, pode
abrir uma pausa entre o pensar e o agIr para suas esperanças:
1. ao construir escolas...
> Esperança em desenvolver a educação.
2. ao pretender ter filhos...
> Esperança em dispor de meios
próprios > Para ampará-los, protegê-los
e mantê-los.
3. ao criar gado... > Esperança em vaciná-los.
4. ao agir, com impulsos
imediatos, sobre o que vi, ouvi e li > Esperança em pensar antes, aqui
e agora.
5. ao dar uma esmola na
rua, perpetuando a miséria > Esperança, com o mesmo valor,
construir um abrigo, creche ou hospital.
6. ao fabricar armas de
fogo > Esperança em construir recursos
de defesa.
7. ao ver e ouvir alcoólatras,
drogados, viciados > Esperança em ajudar uma pessoa.
8. ao perceber que é
indiferente > Esperança que possa ser gente.
A esperança sempre vigente na psicoterapia
analítica de grupo é que ela resiste e atenua
a violência, pela percepção de que nem
tudo sucumbe a destruição.
Resumo
O autor manifesta o seu propósito,
na medida do possível, em descobrir as origens, os
traçados da violência e o que poderia ser feito
para evitá-la, antes de sua explosão.
Descreve sua experiência com fragmentos
de sessão, em psicoterapia analítica de grupo,
configurando um Grupo de grande violência que em sua
evolução regrediu aponto de se interrogar se
a desindividualização de seus integrantes teria
sido em decorrência da violência do analista?
Enfatiza que o maior e mais violento cenário
contra a psicoterapia analítica de grupo é aquele
desenvolvido por pessoas inábeis, desqualificadas,
incapazes de suportar, a contratransferência. Para eles
o campo é minado, como mal negocio, porque lhes falta
competência, moral e ética.
Aborda a queixa de professores de escolas
da periferia que interrogam: porque os alunos nos odeiam tanto?
Sem induzir a qualquer receita, o A. afirma que o adulto necessita
dos olhos do jovem para ver o mundo de hoje e o jovem precisa
da experiência do adulto para sentir a realidade.
Considera pais, mídia e cinema, quando
irresponsáveis geradores de violência. Cuida
da pena de morte e da sua reversão, considerando a
indiferença pelo outro, a maior perversão da
humanidade. Critica a Democracia que não assegura Direitos
da Constituição como Ditadura da Violência.
Interroga se há violência na
Literatura e quando o brasileiro pode ser violento.
Finaliza o seu trabalho com um Ato de Esperança.
*************** Referências
1. Capisano H. (200 I) Psicoterapia
Analítica de Grupo, pág. 9 Editora Erudita.
São Paulo. 2. Green, A. (1990) Conferencias Brasileiras
de André Green, Metapsicologia dos Limites. Ed. Imago,
Rio de Janeiro. 3. Groves, P.M. e Rebec, G.V.(1992) Introduction
to Biological Psychology, 43 Edição. Dubuque,
Iowa: W .C. Brown. 4. Bion, W. (1991) Experiências com
Grupos, Ed. Imago, Rio de Janeiro, 1970. 5. Bion, W. (1979) Como tornar proveitoso
um mal negocio. Rev. Bras. de Psicanálise, 13: 467:
478. 6. Franco Filho, o. (1995) Psicoterapia Analítica
de Grupo: um campo minado. Como tornar proveitoso esse mau
negócio? Anais do III Encontro Luso Brasileiro de Grupoanálise
e Psicoterapia Analítica de Grupo -294- 297, 26 a 29
de Outubro, s. Paulo. 7. Miller de Paiva, L. (1995) A violência
no mundo atual, Anais do III Encontro Luso Brasileiro de Grupoanálise
e Psicoterapia Analítica de Grupo. 49-51. 26 a 29 de
Outubro, s. Paulo.
***************
* Trabalho apresentado no VI Congresso Luso Brasileiro de
Grupoanálise e Psicoterapia Analítica de Grupo
- 8 a 10 de novembro de 2001- Lisboa, Portugal
** Analista Didata do Instituto de Psicoterapia Analítica
de Grupo de S.Paulo.
Membro Titular da Intemational Association of Group Psychotherapy.
Membro Efetivo da Sociedade Brasileira de Psicanálise
de S.Paulo.
Membro Efetivo da Intemational Psycboanalytical Association
- (IPA)
Membro Titular do International CollC2e of Psycbosomatic Medicine.