"Fiat justitia ne perat mundus" -faça-se
justiça para que o mundo não se aniquile - graças
à existência da mulher.
A Mulher Comanda seu Próprio
Desejo
Um espaço interno para sozinha construir a sua criatividade
transformando os seus conflitos não só em realizações,
mas em sua capacidade de relacionar-se com os outros.
Esse memorável espaço tem a
grande resposta: a capacidade da mulher de reprimir o Complexo
de Édipo, ampliar sua estrutura psíquica para
assimilar o novo, aumentando cada vez mais o seu conhecimento
interior.
A mulher deixou de ser somente objeto de
desejo do homem para caminhar e ser sujeito de seu próprio
desejo.
Revolução Sexual
Nos anos sessenta com o lançamento no mercado de comprimidos
anticoncepcionais, iniciou-se a revolução sexual.
Com ela, desapareceram os fantasmas dos processos gravídicos
indesejáveis, com os novos caminhos abertos para expressão
de sua sexualidade.
A intensidade dessa explosão sexual
surpreende a ela própria. Seduz e toma abertamente
a iniciativa erótica; em circunstâncias anteriores
somente se arriscaria insinuar. Enquanto defende sua vida
sexual, lentamente vai avançando em suas diferentes
atividades profissionais.
É combativa, contestadora e não
mais aceita a idéia do homem ativo e a mulher passiva.
A mulher de hoje está muito distante do que foi escrito
por Jung, no seu tempo, na tese do Anima, algo muito de dependências
recíprocas do homem e da mulher, como escreve Cavenaghi
(4) .Jung, em sua era de machismo, chega a dizer que "não
existe uma imagem arquétipo da mulher. Ela não
tem essência própria e não sabe o que
é" aponto de escrever com o Animus, um insulto
à mulher: "existência da personificação
masculina no inconsciente da mulher".
O tabu da virgindade, abordado por Freud
(7) em 1.918 desaparece gradualmente, proporcionando às
mulheres jovens oportunidades de realizar experimentos pré-
matrimoniais, como suposta garantia de futura harmonia conjugal,
convivendo muitas vezes sem chegar ao casamento.
A mulher, diz Saltini (8) , "buscava
ser a porta de ingresso de todo conhecimento dos mistérios
da vida e da natureza".
A mulher de nossos dias mantém-se
e evolui com direitos de ser humano original não abdicando
de sua forma de ser para seguir o seu próprio modelo.
Conceito de Família
Os filhos derivam de capacidade, disposições
e recursos dos pais, revesando-se nos cuidados aos bebês.
0 conceito de família, sustentando rigidamente no principio
do século passado, perdeu sua estrutura clássica.
Os pares atualmente se formam, incluindo
como família, eventualmente alguns parentes, mas particularmente
pessoas amigas que gostam e admiram e não raros serviçais
afetuosos, sempre os acompanhando.
A família atual é constituída
segundo idéias, preferências e desejos de seus
pares com vínculos totalmente novos e não é
obrigatoriamente imposta. No mundo atual, há países
onde se permite um só filho, prática que poderia
ser adotada em certos países, pois dentro de alguns
anos poderiam ser transformados em outra China, não
aquela dos dados oficiais,
mas daquele país observável e sentido em sua
miséria e fome. Em nosso Brasil, um casal somente poderia
ter um filho, não se simplesmente o desejasse, mas
se pensasse de forma amadurecida, se fosse responsável,
se pudesse arcar com todas as sua despesas, desde a simples
manutenção até o termino de sua formação
intelectual, pronto para o trabalho profissional, sem nenhum
ônus para o Estado. Daríamos fim à maternidade
irresponsável e o inicio da cidadania adulta.
As mulheres pós-menopáusicas
do mundo de hoje são diferentes daquelas do passado,
quando a vida já não valia a pena ser vivida,
velhinhas, vestido escuro, costurando e lendo
historinhas para as crianças.
A Mulher Só
Alguns anos atrás nos conta Alizade (1) era inconcebível
admitir a idéia de uma mulher viver sozinha. Quando
viúva, os filhos viviam com ela com todas as conseqüências
imagináveis de dependência afetiva e econômica.
Era uma imposição social e familiar. Hoje é
raro, assegura Alizade (2) uma mulher sã, por alguma
razão, ficar só e aceitar conviver com seus
filhos ou parentes. A experiência mostra, a mulher defende
viver sozinha como também a sua independência.
Ela elabora sua separação e suas perdas, vai
progressivamente se reinserindo em grupos sociais de acordo
com seus interesses, particularmente em cursos de pessoas
acima de 45 anos onde o percentual de mulheres chega a 70%.
As freqüentadoras desses cursos são
as avós de hoje, autônomas, independentes, organizando
suas amizades e tenho novas relações amorosas.
Adotam novo modelo de vida rejuvenescedor e estimulante. Aprenderam
com os jovens a convocar os homens e solicitar sua companhia.
Defendem sua vida erótica porque dispõem de
um horizonte extraordinário: não existe o fantasma
da impotência na vida sexual feminina!
Os netos estranham essas mudanças.
Frustram-se porque querem vê-Ias como às avos
das antigas leituras ou dos contadores de historias. Os homens,
em geral, ficam perplexos sentindo as mulheres avançando
em seus "territórios". É um fenômeno
social assombroso e comovente, a mulher não mais depende
do homem, não é ser castrado, tem superego bem
desenvolvido, não é mais passiva, sabe se defender
de assedio sexual, de violação e de relações
violentas. Para a mulher, a realidade não é
um universo, mas sim um multiverso, em cultura pós-moderna,
sociedade transparente e não hipócrita.
Mulher só não significa isolada,
pela capacidade de cultivar vínculos de trabalho, de
solidariedade, de amizade e desfrutar da arte, da ciência,
dos clubes, dos negócios, dos idiomas, do turismo,
etc.
A mulher só, livre, por sua eleição
tem independência ameaçada se correr ao primeiro
amparo que lhe é proposto. Ao contrário, deve
trabalhar esse isolamento, transitar por ele, tropeçar
e avançar novamente. Um aprendizado para a liberdade.
Que se abram as portas e passem em grupo
as mulheres sós em diferentes situações
de vida: solteiras, casadas, viúvas, separadas, divorciadas.
..Que sabem estar sozinhas para chegar a serem bem acompanhadas!
A dor de sentir só é bem diferente
da dolorosa queixa angustiante de sentir-se abandonada. Pode
ser este o resultado de um casamento frustrado. Considere-se
a família como instituição altamente
valorizada para se avaliar o transtorno de um matrimonio desfeito,
sobretudo quando há filhos! ! ! De início, não
é nada fácil enfrentar o processo de separação
e mais adiante a vida de uma mulher separada.
O amor pode se converter em ódio,
e, os filhos como instrumento intermediário desse sentimento
levam a mulher a carregar uma cruz em um calvário,
onde sua vida pode se
transformar num inferno.
A convivência péssima, o status
social abalado, o vazio social pela impressão inicial
de que a mulher não é de ninguém. Faria
contra o ex-marido, hostilidades por dinheiro, sensação
de abandono, incapacidade de estar só, desespero, medo,
depressão e desejo de morrer.
Outras vezes a separação é
sentida como alivio extraordinário, bem estar inimaginável,
nova vida, novo equilíbrio, nova oportunidade de viver
feliz.
A mulher deve aprender a ser auto-suficiente,
ter segurança na sua própria conservação
e visar a sua autonomia financeira estando casada. Precavida,
dispõe bens graças ao seu trabalho.
Certos Ricos
Separada e com filhos, por vezes de casamento anterior, pode
ter aventura inédita e difícil se ex-marido
muito rico, por ódio e vingança se nega a dar
"ajuda com alimentos" as crianças "que
não lhe pertencem".
As dificuldades financeiras maiores ocorrem
quando as mulheres se separam de homens muito ricos.
Tenho sessenta anos de clínica. Um
colega recomenda- me com grande alegria um paciente muito
rico. Eu agradeço e peço para enviar a outro.
Os "calotes" que tive em minha clínica não
foram de pessoas humildes ou dos diferentes patamares da classe
media, mas sim dos ricos famosos pela mídia, ainda
recentemente dos "quinhentões". Há
pacientes piadistas. São aqueles freqüentadores
da sociedade snob e pedernida, vistos com freqüência
na televisão, desejosos de ingressar no processo analítico
sem nada pagar. Julgam-se tão importantes, bastando
dizer com quem se analisam... que o trabalho do analista está
pago...
A Mulher Só - Desorientada
0Iha-se, se autocompadece, ninguém a procura, ninguém
a protege, ninguém a ama. Procura alguém. Precipita
se lançando aos braços do primeiro homem para
aplacar ansiedade de separação. Não importa
quem, desde que seja um homem... às vezes um débil
aproveitador de divorciadas indefesas.
A mulher ficou só e não sabe
ainda estar sozinha. A fantasia do homem salvador ainda ocupa
o primeiro plano em sua mente. Imaculada pela dor do isolamento
corre de homem para homem. É depreciada, avaliada como
figura humana de segunda mão. Seriam namoradas de "passa
tempo" ou amantes de homens casados. A mulher andante
pode receber grande apoio quando encontra outras mulheres,
temerosas na mesma condição de separadas. Unidas
trocam projetos e estímulos, abominando as palavras
sentenciadoras
"não há homens".
O divorcio para mulheres de mediana idade,
onde o sentimento de solidão se une ao sentimento de
ansiedade pelo envelhecimento, se agrava quando o homem abandona
a mulher e procura outra muito mais jovem.
Impõe vencer o menosprezo à
mulher madura, um trabalho interior necessário, difícil
e indispensável para assumir a sua individualidade.
O casal constitui a suposta base para agüentar
as inclemências do envelhecimento e da doença.
Mas, as mulheres casadas podem sentir-se sós, com maridos
ausentes tanto física como mentalmente, em convivência
tediosa e francamente desagradável. Para sobreviver,
algumas mulheres criam um amante interior, uma ilusão,
não necessariamente um homem, uma fantasia de renascimento
de uma paixão, o deslocar-se para projetos de trabalho,
viagens, etc. para cultivar a força de viver e alegria
de estar viva.
Viúvas
A viuvez confere à mulher o beneficio do amparo desse
estado civil em conquistar digna liberdade e valorização
social para satisfazer o desejo de andar só. Não
se trata de uma mulher de segunda como poderia sentir-se uma
mulher divorciada, mas a mulher casada, que perdeu o marido
falecido. A viúva que não volta a se casar poderia
sentir fidelidade eterna ao marido morto ou desejo de viver
só ou por temer um segundo matrimônio.
Muitas mulheres têm grande aderência
ao marido morto por ter desenvolvido essa ligação
intensamente quando vivo. Outras, se reconhecem como propriedade
do marido, outras têm luto por muitos anos para recuperar
sua liberdade interior e voltar a casar-se.
Há mulheres que vivem com o marido
morto. São mulheres de um morto, viuvez em estado definitivo
e dor infinita. O morto parece protegê-la nesse estado
social conveniente. Não abandonou a quem quer que seja,
foi o morto responsável pela tragédia. É
guardiã do matrimonio falido. E a viuvez interminável.
Solteiras e Solteironas
Não casar-se insinua-se lamentavelmente como desgraça,
quando no fundo não se respeita a mulher em si, jovem
ou não.
Há um patológico imperativo
social que a mulher tem que casar-se. Parece ser proibido
não querer casar-se, não atender a função
reprodutiva da espécie. E desqualificada, como ser
humano, rotulada como solteirona ou homossexual. Não
casando parece não ser gente! Oprimida como escrava.
Proibida no direito de ser mulher por ser inimiga da sociedade!
Pasmem!!!
Homossexuais
Mulheres elegem ou são eleitas para amarem-se, sem
marginação social. E um mundo intimo, peculiar,
natural, sem escândalo, se acariciam, se erotisam vivendo
em apartamento
que adquiriram, com grande sacrifício, para abrigo
independente.
Mulheres bissexuais, casadas, separadas,
e, agora com amantes do mesmo sexo, podem criar filhos. Outras,
que se unem decidem por todos os meios criar um ser.
A sociedade estranha critica, esbraveja..
.mas adota crianças abandonadas? A revolta social pode
traduzir mulheres escandalosas porque sua homossexualidade
latente pode explodir a qualquer momento!
Entre as mulheres homossexuais, que constituem
o casal, há conflitos habituais transpostos com amor
e percepção profunda, mas há outros mais
sérios, de difícil abordagem, quando uma mulher
assume poder corruptor e destrutivo sobre outra. A seduzida
talvez mais jovem, presa por conflitos em sua adolescência,
poderia pela sua fragilidade carregar para a vida homossexual
algo de fascinação por figuras de autoridade.
As mulheres homossexuais, ligadas entre si,
temem, uma perder a outra, o que pode desestabilizar a vida
amorosa. Receiam o desamparo, a solidão e a rejeição
amorosa familiar.
A mulher homossexual que vive só requer
livrar-se de suas próprias deficiências, o que
não é nada fácil, para ascender à
solidão feliz, contribuindo e se beneficiando dos grandes
movimentos de solidariedade humana.
Vida Sexual
Há entre as mulheres um "quantum libidinal"
relatado por Freud (6) em 1.908, ou seja, de amor, de paixão
com teores muito variáveis desde grande liberação
sexual até algo inexpressivo.
Nas adolescentes o "quantum libidinal"
corre livre, em mente quase infantil, sem contenção
com resultados tristes por descuidos, engravidando ou contraindo
doenças transmissíveis, particularmente AIDS.
Não se espere das adolescentes, equilíbrio psíquico
com capacidade de auto domínio e capacidade de postergação
de prazer sexual.
Uma jovem predominantemente procura afeto
e um moço procura predominantemente sexo. São
discordâncias dominantes nos dias de hoje, mas repetindo
a cultura sexual do passado. A mulher se destaca por querer
amar e ser amada procurando compromisso para estabilidade
emocional.
O jovem aventura, companhia e compromisso
de prazer. Com objetivos desencontrados resultam frustrações,
desenganos e grandes decepções.
Orgasmo
Desde a liberdade sexual da mulher, não se considera
a vagina como órgão único de percepção
do erotismo feminino.
Difundindo-se as sensações
prazerosas em outras zonas erógenas, a mulher descobre
outras áreas do corpo e aprende a sentir de varias
maneiras a riqueza que possui, conta-nos ALlZADE (3).
Se toda zona erógena é passível
de converter-se em área de descarga é possível
provocar-se todas espécies de orgasmo, seguidas de
voluptuosidade, profunda satisfação e assim
dispor de grande aumento de gozo.
Os sentidos também se revelam aptos
para expandir ondas profundas voluptuosas, incomensuráveis
conferindo satisfação visuais, auditivas, táteis,
etc que se ligam aos orgasmos clitorídeos, vaginais,
bucais, anais, etc.
A mulher quando se entrega, nada sabe, não
se pergunta, sem exigências, sem expectativas, sem medidas
para obter o prazer do gozo através de um sim especificamente
feminino da cabeça aos pés!!!
Tais introduções abrem caminho
aos orgasmos de penetração, aqueles em que se
jogam em zonas erógenas internas como vagina, boca
e ânus.
A mulher, pela riqueza que tem, não
deve buscar o equivalente do orgasmo masculino. Quando isso
acontece está ela reprimindo tudo que pode sentir passando,
na primeira experiência sexual, a ser qualificada de
frigida por não corporificar a riqueza orgasmica feminina.
A mulher deve escapar da forma de gozar masculina,
desqualificando seu erotismo e inibindo seus próprios
movimentos libidinais. A mulher se imita perde, a mulher tal
como é ganha.
A mulher pela liberdade adquirida de vida
sexual livre corre o risco que ela própria se propõe:
a fantasia de prostituição. Vínculos
sucessivos ou simultâneos de natureza sexual caem sobre
a mulher pressão social desqualificadora de frágil
e leviana, como afirma CHOISI (5). A mulher encontra dificuldades
estratégicas para lograr sua liberdade sexual quando
encontra circunstancial companheiro para o ato pretendido.
O homem, ao sair com várias mulheres,
se dispõe ao título de grande viril, por ser
presa fácil de qualquer “rabo de saia”,
mas também ganha o rótulo de homem fácil
do século XXI.
Sério problema é o envelhecimento
da mulher ao enfrentar carne flácida, celulite, mamas
caídas, abdômen frouxo, etc. que o qualificado
cirurgião plástico pode corrigir dando lenitivo
àquelas que podem pagar...
Outras se marginalizam e agarram qualquer
idiota para receber alguma dose de gratificação
erótica.
O homem, sem autocrítica, gordão
ou magriça, pelo fato de ser homem, se atreve a convidar
a mulher jovem, seguro de sua masculinidade e poder de sedução
tê-Ia na cama quando bem entender.
A mulher casada lida com sua rotina repetitiva,
desvalorizada e desestimulada que a aborrece e faz dormir
sua excitação sexual, sobretudo quando chega
o marido, exausto, aborrecido de suas atividades obsessivas.
Subsistem os fraternos companheiros de muitos anos, que jantam
com os filhos, olham e ouvem os programas de televisão,
mas não se olham e não se ouvem, cansados procuram
a cama para repouso.
Entre os dois importa a existência
ou não do voto de fidelidade. Há casais, que
antes do matrimonio, estabelecem liberdade mutua para eleição
de parceiros sexuais, eximindo-se de todo voto de fidelidade.
Qualquer iniciativa está justificada pela permissão
recíproca durante o casamento.
Nos casais onde prevalece o voto de fidelidade,
a sexualidade do homem e da mulher é controlada por
ambos, em face de si próprios e frente a todas restrições
sociais. Qualquer deslize permite surgir culpa ficando à
sombra de crime e castigo.
Na idade media, sensualidade feminina transbordante
teria influência demoníaca, mas hoje a erotização
feminina é fogo, repercutindo no vínculo conjugal
com conflitos de lealdade e medo de ser descoberta apesar
da dedicação exclusiva às funções
maternais. A repressão feminina é heróica
para manter o voto de felicidade!
Fidelidade
É marco ético especifico a cada pessoa, manejando-o
livremente em beneficio não só de si mesmo como
a todos semelhantes.
O conceito de fidelidade não se restringe
ao sentido positivo ou negativo em limites estreitos, mas
acepção ampla, além das metas habituais,
esclarece ALIZADE (3).
A fidelidade da mulher ao marido quando se casam sofre modificações,
se após algum tempo ela engravida e tem um filho. A
fidelidade total ao marido, agora é parcial. Infiel
ao marido para atender o filho e vice-versa. Se após
um ou dois anos tiver outro filho, a mãe tem que se
organizar mentalmente para amar e frustrar continuamente enfrentando
a dupla de diferentes significados fidelidade-infidelidade.
Este exemplo mostra que a fidelidade não
é sentimento de posse e o seu controle pode converter-se
em suplicio pelo clima asfixiante de exigências e ciúmes.
A fidelidade será sempre parcial,
pois existem interesses e tarefas que não se compartilham.
Não existe fidelidade total e definitiva. Importa cultivar
o compartilhamento dia adia, desejos, cuidados, bom humor,
alegria, ingredientes prioritários na conquista e na
reconquista de quem se ama.
A Mulher Sozinha em Diferentes Idades
No passado a menina ao nascer experimentava um mixto de rejeição
e isolamento. Os casais, com a mulher grávida preconizavam
o rebento do sexo masculino. A força desejante
dos progenitores é desqualificar, é efeito nocivo,
é educação de péssima qualidade
sobre o psiquismo daquela menininha que nasce.
Em nossos dias, as garotinhas são
desejadas e as mães amam ao criá-las, conferindo
segurança e auto-suficiência desde os primeiros
contatos.
A menina amada, criada em ambiente salutar,
generoso e confiante, permite apropriar-se de seu corpo e
desfrutá-lo com sonhos, ilusões, estudos, viagens,
diversões, etc.
Ao chegar a adolescência enfrenta sua
própria rebeldia junto com bombardeamento de propostas
de liberdade que recebe com freqüência. Pode ficar
atônita pelas transformações e nessa altura
a proteção familiar, quando existe, é
eixo de segurança e prevenção do terremoto
de forças vivas. A mudança do corpo assombra,
alegra, comove, a erogeneidade se impõe, descobre-se,
toca-se, tem prazer com seus genitais, agitam-se desejos para
aventuras. Encontra a mãe. Quer separar-se, ser autônoma,
tem tormentos pela idade, surgem gritos, insultos, desafia
e canta a vida com irresponsabilidade, leviandade e ignorância.
Encontra alguém, engravida. O abortamento
é o caminho e a droga o sinaleiro para aplacar a ansiedade.
A jovem adulta de nossos dias deixou para
trás ser linda, atrativa, modelo internacional, excelente
partido para casar-se, para buscar seu lugar na sociedade
em áreas de conhecimento, criatividade, produção,
bem como prazeres inefáveis de liberdade interna e
externa.
A idade madura não tem data certa.
E o aprender com experiências frente as mudanças
físicas e psíquicas gozando boa saúde.
Viver em companhia é um grande bem,
particularmente acompanhante sensível, inteligente,
adaptável às diferenças nas diversas
etapas da vida. Os filhos crescem, alcançam vôo,
deixam o ninho porque são produtos da natureza e não
proprietários dos pais. Os seres amados se alheiam
desta ou daquela maneira, como o marido que não tem
vida eterna.
Súbito um fantasma ansioso: ficar
só no imaginário feminino. A menopausa pode
anunciar o termino da era reprodutiva, mas jamais o prazer
sexual que termina com a morte. A menopausa não é
golpe baixo para a vida sexual da mulher.
A perda da juventude confere graça,
simpatia e sedução à mulher madura, Ela
não necessita ficar desesperada e lançar-se
nos braços do primeiro homem que aparecer. Cuida-se,
veste-se com elegância, sem roupas extravagantes e não
rechaça a sua imagem que vê no espelho.
Carrega brasas e não cinzas, rosto
ardente e alma levantada.
A Velhice
E o tempo de consolidação de experiência
da vida e a forma como foram ultrapassadas as diferentes fases
da existência com frustrações, sofrimentos
e alegrias.
Entre êxitos e fracassos, entre mudanças
geográficas e transformações corporais,
entre vivencias de satisfações e tristezas,
entre amizades e traições, entre medo e audácia,
entre derrotas e vontade de viver, entre o prazer jovial e
o presente envelhecendo - tudo dependendo da riqueza interior
desenvolvida pela mulher.
O bem estar, da mulher envelhecida e só,
é viver o presente, sua relação com a
alegria, a transformação de seu narcisismo,
entregando-se as grandes leis da vida e da morte, mas liberando
a mente da morte psíquica para obter uma boa qualidade
de vida na velhice.
Como abrir caminho para aquela mulher triste,
hipocondríaca, reclamando de todos, sentindo-se infeliz,
pensando só nela, em suas queixas e preocupações
infindáveis, senão propondo projetos fora dela
mesma, em planos de solidariedade social, fora das fronteiras
pessoais e familiares, incluindo preocupações
de seus pensamentos em seres estranho, mostrando eterno desejo
de viver porque a velhice é também idade de
aprendizagem! ! !
A Autoridade Feminina
A autoridade feminina outorga ao nascituro, pelos seus cuidados,
vida física e psíquica. O amor materno é
expressão de dar de si de modo incomensurável.
A mãe se torna poderosa, onipotente para o pequenino
ser dependente. Seria o poder limitado, falível, questionável,
mas a mulher que gera tem potencia de poder, força
absoluta, divina, aos olhos de quem a vê.
O poder feminino e maternal é poder
de vida por excelência, mas quando a mulher abandona
e desampara os filhos que gera coloca-se na escala de valores,
morais e mentais no nível mais baixo da existência
humana. E poder de não poder ou moral atirada ao lixo.
O desnivelamento de rendas na população
brasileira e o aumento da miséria vigente nas periferias
dos centros urbanos do Brasil, entre vários outros
fatores, reside na irresponsabilidade dos geradores de filhos,
incapazes de manter a própria subsistência e
de seus descendentes, sem ter casa, alimentação,
educação, vestimenta e inúmeros outros
elementos complementares, caracterizando a absoluta falta
de cidadania, onde direitos são conferidos aos responsáveis.
O Brasil pode, ao longo dos anos, chegar
a se aproximar da população da China, se não
tomar medidas adultas exigindo responsabilidades de quem se
casa e daqueles que desejam ter filhos. Casamento somente
para aqueles que provam subsistência para casar, o mesmo
ocorrendo para quem quer ter filhos. A cidadania começa
na responsabilidade e os direitos são conseqüências
das responsabilidades. O Brasil deveria propor casamentos
responsáveis, sem filhos.
Valores Femininos
O valor feminino manso, solidário, inteligente, decidido,
mente associativa, perceptiva e perspicaz não necessita
de esmolas como aquela muito repetida: "de trás
de todo grande
homem há uma grande mulher".
Ela tem caudal infinito de dons, posição estruturante
psíquica, .lucidez, sabedoria, pulsão de vida
para valorizar desde o humilde, insignificante até
o ser humano mais valorizado.
A energia da mulher está vinculada
a realizações concretas de autoconservação,
jamais para organizações de guerras, genocídios
planificados, horrores, economias assassinas, explorações,
devastações, etc.
A sociedade requer a urgente participação
da mulher na forma de governar e produzir transformações
nos modos de viver. O trabalho inteligente e solidário
graças às empresarias, intelectuais, ministras,
presidentes empurrando a humanidade para a paz, cultura, tecnologia
crescente com acontecimentos ricos em afetos.
A globalização tão criticada
não será modificada pelo homem com guerras,
mas com a feminização da cultura, condição
prioritária, para a humanidade conseguir saudável
transformação social e pulsão de vida
com mudanças solidárias, sentimentais, afetivas
e amorosas.
*************** Referências
1) Alizade, A M. (1998) La Mujer sola -Ensayo
sobre Ia dama andante En Occidente - Lumen- Tercer Milenio,
Buenos Aires. 2) Alizade, AM. (1998) Tiempo de Mujeres,
Coleccion Justine, Ed.Letra Viva, Buenos Aires. 3) Alizade, AM.(1989) EI Cuerpo erógeno
feminino; sus tabúes y sus orgasmos -Rev. Psicoan.
Argentina, 46(5) 643-55, Buenos Aires. 4) Cavenaghi, D. (1999) Meus passos me levam
aonde? Destruição e resgate do feminino no homem
e na mulher. Ed. Republica Literária -S.Paulo. 5) Choisi, M. (1996) Psicoanalisis de Ia
prostitucion, Ed. Hormé, Buenos Aires. 6) Freud, S. (1908) A moral sexual cultural
e o nervosismo moderno. 187-208, Vol.1X, Ed. Standard Brasileira
Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud, Irnago
Editora, Rio de Janeiro. 7) Freud, S. (1918) O tabú da virgindade
(contribuições à Psicologia do Amor)
179-192 Vol XI, Ed. Standard Brasileira Obras Psicológicas
Completas de Sigmund Freud, Imago Editora, Rio de Janeiro. 8) Saltini, C. (1999) A sexualidade do feminino
erótico. Destruição e resgate do feminino
no homem e.na mulher. Ed. Republica Literária -S. Paulo.
***************
*Palestra proferida no Museu Brasileiro da Escultura em Curso
promovido pela Associação
dos Dirigentes de Vendas e Marketing do Brasil- São
Paulo 04 de junho de 2002.
** Professor do Instituto de Psicossomática de $. Paulo
Membro do Instituto de Psicossomática de $. Paulo
Membro da International College of Psychossomatic Medicine
Membro da Internacional Psycho-Analitical Association
Fundador e ex-presidente da Associação Brasileira
de Medicina Psicossomática