32 - Transtorno Psicossomático
por Superego Assassino - Conceito baseado em Experiência
Clínica
A partir de material clínico,
o Autor inicia seus comentários considerando o superego
como instância revoludonária com poderosos impulsos
do id contra primitivas escolhas objetais. Entende o superego
como agressor assassino causador de transtornos psicossomáticos
pelas múltiplas cisões egóicas, correspondendo
cada uma delas, a uma defesa organizada separando conflitos
psíquicos das alterações estruturais
somáticas.
Introdução
Vou desenvolver o conceito de Transtorno Psicossomático
por superego assassino a partir da apresentação
de caso clínico.
Caso Clínico
Paciente contando 52 anos, agrônomo, há muitos
anos exercendo função burocrática em
empresa especializada, casado com mulher professora universitária,
dois filhos, um estudante de Engenharia e outro estudante
de Direito, registra há 25 anos queixas predominantes
do tubo digestivo.
O paciente analisou-se comigo em dois períodos:
no primeiro, durante 2 anos e meio com queixas sucessivas
de sensações dolorosas do aparelho digestivo
não permitindo com clareza a percepção
de um objeto, cuja manifestação poderia ser
entendida como fato mental e emocional; no segundo período
durante 2 anos, com redução significativa de
manifestações sensoriais e predomínio
de explosões emocionais, decorrentes de conflitos gerados
pelas diferenças na mente entre analista-analisando,
entre este sua esposa e dois filhos. Existe só o corpo
No primeiro período tudo é referido ao corpo.
Os saltos ao psiquismo raros e inexpressivos.
A abertura do quadro clinico se faz através
de gastrite com picos dolorosos e remissões. Insistia
o paciente na presença de ulcera duodenal jamais confirmada
após repetidos exames subsidiários.
No decorrer da primeira análise, destaco
as referendas sobre sua gastrite, quando dizia "que a
mucosa de seu estômago estaria reduzida a uma única
camada de células epiteliais cilíndricas, com
uma ou outra glândula remanescente, hipertrofia do tecido
conjuntivo indo até a camada muscular e mesmo à
serosa tomando a parede do estomago espessada, rígida
e calosa como se fosse uma cirrose gástrica".
Não me foi difícil constatar e confirmar que
o paciente pretendia agravar o seu estado não com sintomas
reais, mas recitando texto de livro sobre "Doenças
do Aparelho Digestivo".
A simulação me pareceu um recurso
para que eu o adotasse não como filho, mas analisando
com possibilidades de fecundar a parceria e dela obter caminhos
para soluções.
As demonstrações subsidiarias
sobre a inexistência de ulcera duodenal foram aceitas
com recibo de queixas disfágicas. As eructações,
sobretudo à noite, ao deitar-se marcaram evolutivamente
novo diagnostico clínico: esofagite de refluxo, endoscopicamente
confirmada.
Por períodos de crise e alcamias os
episódios da vida do paciente se marcam por cisões
repetidas em seu ego, gravadas por ataques insanos de seu
superego aterrador.
O caminho destrutivo se faz no tubo digestivo
de alto a baixo. Algum tempo depois o trato médio é
atingido surgindo manifestações clínicas
de enterocolite.
O aparecimento de cólicas abdominais
difusas o toma irritadiço e briguento, não suportando
brincadeiras dos filhos e observações da esposa.
Quando o ritmo intestinal se altera com três a cinco
evacuações pastosas e laivos sanguíneos
deseja o condoimento de toda família, que acompanha
sua peregrinação de padecimentos somáticos,
sem ouvir a audácia de uma hipótese psíquica
para seus sofrimentos.
Não tardou, como acontece nas enterocolopatias,
a queixar-se de dores nas fossas ilíacas direita e
esquerda. Com a evolução do processo intestinal,
cujo comprometimento é geral e não local, não
tardou para o paciente admitir, pela repetição
de dores na fossa ilíaca direita, que a causa de todos
os seus males repousavam em processo apendicular inflamatório
agudo. Entre clínicos e cirurgiões ouvidos importava
aquele que concordava com o diagnostico do paciente. Não
foi difícil encontrar um mercenário e a apendicectomia
foi realizada.
Sugestivo período de remissão
de sintomas alegrou o paciente, apontando- se em primeiro
lugar a satisfação de ver-se livre de sofrimentos
e em segundo a alegria da superação da causa
de sua enfermidade onde o leigo impõe-se à clínicos
e cirurgiões tidos como incapazes.
Reaparecem mais tarde as cólicas abdominais
com perturbações do ritmo intestinal, tendo
exonerações de fezes pastosas com muco 3 a 5
vezes ao dia. Aceitando dieta anti-fermentativa obtém
melhora depois de um mês.
Em seguida, descreve dores epigástricas
acompanhadas de disfagia, a qual foi aos poucos dominando
o cortejo de suas queixas a ponto de encontrar um cirurgião
apto para operá-lo de hérnia do hiato, O que
realmente aconteceu.
Nova esperança com o ato cirúrgico:
o encontro da causa de suas queixas e o alívio de seus
sofrimentos. Chega a dizer que os fatos reais de sua vida
não podiam ser digeridos, entendidos e aproveitados
enquanto tinha "essa hérnia maldita".
Os conflitos pareceriam resolvidos com essa
intervenção, quando cerca de um ano depois,
dores repetidas na região inguinal direita levam-no
a procurar um operador, que o induz a novo ato cirúrgico.
Com a carga de três intervenções
operatórias sem qualquer sucesso, o paciente exclama,
finalmente: "o senhor me acompanha nas minhas decepções
e não me abandona. Seus colegas cirurgiões sempre
prometeram minha cura, mas repetidamente não dão
qualquer importância à minha pessoa. Eu não
existo para eles".
Não demanda muito tempo para queixar-se
de eczema perianal renitente e reincidente para logo a seguir
manifestar sintomas de colecistite.
Perfaz em 25 anos cinco transtornos psicossomáticos
e três intervenções cirúrgicas
rotulando-se como "paciente de repetição
gastroenterológica".
Surge o Psíquico
Depois de um ano de interrupção da analise,
retorna para um segundo período, com três sessões
semanais, revelando-se perceptivo, perspicaz e afetuoso!
Assinalo, a seguir, aspectos de uma sessão.
Diz o paciente: “eu estava no laboratório de
analises, ali sentado, lendo os resultados dos exames anteriores,
todos com cifras normais, nos limites máximos, enquanto
aguardava a colheita do meu sangue para novas análises”.
Nessa hora, minha cabeça alçou
vôo e eu mergulhei em alucinações. Veio-
me a imagem de meu amigo Antonio. Ele foi por muito tempo
agradável e grande conversador. Mas, com o tempo foi
ficando chato e eu fui implicando com ele. Com essas ultimas
características de tipo aborrecido e irritante, não
havia outro recurso senão eu me afastar do Antonio.
Foi o que aconteceu.
Mas, eu estava abatido e comecei a me sentir,
à medida que o tempo passava, mais sozinho e isolado!
Porque? Então serei eu o implicante
e chato?
Lembro-me, de um sonho dessa noite, muito
curioso. Eu estava numa mata com uma arma e Antonio aparece
no sonho, com outra arma mais poderosa uma metralhadora de
cor verde. Fiz a ele uma proposta: trocar de armas. Eu ficaria
bem melhor com uma arma bonita, verde voltada para fora e
mais potente e não aquela minha feia, horrível,
burra voltada para dentro.
Eu sempre me comporto como chato, aborrecido
e implicante corrigindo condutas, atitudes e palavras de minha
mulher e meus dois filhos, não deixando escapar nada!
E depois fico me lamentando pelo que fiz! Eu me pergunto:
contra eles ou contra mim ?"
A- Porque me poupa? P- Eu não sei. Talvez porque... A- Por rivalidade comigo? P- O senhor me dá toda liberdade possível...
E eu não me preocupo com ataques. Eu desejo do senhor
alguma coisa... E eu não sei o que é! A- Espera que eu descubra? P- Creio que sim. Na minha cabeça
sinto confusão. Não me entendo! Pareço
burro! Quantas vezes já disse isso ao meu cunhado que
é analista no Rio de Janeiro: há uma revolução
dentro de mim!!! A- E eu... P- O senhor tem mais experiência do
que ele! A- De burrice em não perceber uma
mudança? -Ri prolongadamente. P- Estou rindo tanto, que até choro!
! ! A- Uma burrice de chorar!... -Continua rindo
intensamente. P- Sinto-me como um pateta e nada sei do
que falei antes e depois do sonho!
Silêncio.
"Alguma coisa dentro de mim que se modifica!
Como é terrível não saber o que se
passa dentro da gente!
Silêncio
No sonho o que me intriga é a troca
de armas!
Tenho que mudar. Se estou aqui é para
isso. Não quero me voltar para fora sempre irritando,
aborrecendo, chateando, implicando, atazanando... Agora, sou
eu. Estou me aborrecendo comigo mesmo.
Tenho que mudar... Esse trocar de armas me
deu um estalo! Parecem duas armas como duas situações
ou partes minhas: uma para fora e outra para dentro. Claro,
que aquela arma que eu uso para fora, o aborrecido, implicante,
o chato eu sinto que estou usando contra mim! E isso mesmo!
Eu contra mim mesmo! Será que em toda minha vida assestei
uma metralhadora contra mim e me arrasei?
Abri a mata, desbravei, descobri o caminho,
sei para onde ir. O resto é dar nomes aos bois. Isso
é com o senhor!"
Comentários
A existência do superego se deve como acontecimento
revolucionário apontado por Freud (4) e repetido pelo
paciente quando diz: "não me entendo! Pareço
burro! Quantas vezes já disse isso ao meu cunhado que
é analista no Rio de Janeiro: há uma revolução
dentro de mim!!!"
O superego é entendido como diferenciação
desenvolvida dentro do ego sendo expressão de poderosos
impulsos do id, como também o seu representante e,
por conseguinte do mundo interno (Furer) 7.
O superego representa uma formação
reativa enérgica contra primitivas escolhas objetais:
"meu amigo Antonio foi muito tempo agradável e
grande conversador. Mas, com o tempo foi ficando chato e eu
fui implicando com ele. Com essas características de
tipo aborrecido e irritante, não havia outro recurso
senão eu me afastar do Antonio. Foi o que aconteceu".
Existe aspecto duplo do superego: em primeiro
lugar o preceito de seguir a vida como o pai, obedecendo-o
e em segundo o enfrentamento ao pai como obstáculo
a desejos fundamentais.
O amigo Antonio percebido como obstáculo,
leva o paciente a pedir emprestado a força do pai,
fortificando-se para poder afastar-se do amigo. O superego
retém o caráter do pai, a força do pai
para o ato revolucionário de reprimir o Complexo de
Édipo dentro de si próprio.
O superego constitui a natureza mais alta
do homem e o representante de nossas relações
com os pais.
É a voz, é autoridade, é
o juiz com severidade proporcional aos desejos (Jacobson (8)}.
Quanto mais o ser humano controla sua agressividade, mais
intensa se toma à agressividade do superego contra
o SELF: "eu sempre me comporto como chato, aborrecido
e implicante corrigindo condutas, atitudes e palavras de minha
mulher e filhos não deixando escapar nada. E depois
fico me lamentando pelo que fiz! Eu me pergunto: contra eles
ou contra mim?".
O que pertencia à parte mais baixa
da vida mental de cada um de nós é transformado
mediante o superego no que é mais elevado na mente
humana pela nossa escala de valores.
Nessa linha, o homem pode através
de seu senso social, de sua moralidade e capacidade de dominar
o Complexo de Édipo superar a rivalidade entre seus
semelhantes (Freud (6)} o que parece não acontecer
com o paciente que estamos acompanhando: "aborrecido
e irritante não havia outro recurso senão me
afastar de Antonio".
O superego, como confirma ARLOW (I) não é de
modo algum estrutura uniforme, coerente, integrada e harmoniosa
porque suas funções alcançam uma autonomia
maior quanto aos objetos externos.
Existe uma marca distinta no superego como
assegura BERES (2) que seria a culpa decorrente de punição
por perda da auto-estima.
Estas idéias já haviam sido
desenvolvidas por FREUD (4) quando esclarece que o superego
é instancia que pode transformar um ativo de elogios,
recompensas, estima em passivo de severidade, punição,
ataques a si mesmo por desejos próprios de agressividade
e culpa.
Esses autores nos iluminam para uma observação
mais apurada sobre os transtornos psicossomáticos,
coadjuvada pela preciosidade gratificante dos dados significativos
que o paciente nos proporciona: "eu estava numa mata
com uma arma e Antonio, aparece no sonho, com outra arma,
mais poderosa, uma metralhadora de cor verde. Fiz a ele uma
proposta: trocar de armas. Eu ficaria bem melhor com uma arma
bonita, voltada para fora e mais potente e não aquela
minha feia, horrível, burra voltada para dentro".
O superego agressor é a "arma
feia, horrível e burra porque se volta contra si mesmo
provocando gastrite, esofagite, hérnia do hiato, enterocolite,
colecistite, eczema perianal e três intervenções
cirúrgicas".
O transtorno psicossomático pode ser
conceituado pela persistência de um estado de cisões
múltiplas na organização de superego
assassino.
O transtorno psicossomático, com esse
conceito, deixa de ser uma situação clínica
em si reconhecida como dermatite, enterocolite, asma, angina,
artrite reumatóide, eczema, etc.
A causa desse transtorno deriva dos ataques
de um superego assassino, que fragmenta em múltiplos
pedaços o ego.
O superego agressor provoca múltiplas
dissociações conferindo um estado de cisões
com uma organização defensiva extremamente poderosa
e desafiante.
Ao contrário do que se pensava outrora,
não se trata de montar dois cavalos ao mesmo tempo,
um sobre o soma e outro sobre o psíquico. Estão
em jogo fragmentos múltiplos, perturbadores, modifica
dores do equilíbrio e da forma de viver.
As inúmeras cisões do ego dos
pacientes causam dificuldades reais difíceis de serem
superadas, pois são defesas organizadas que separam
os conflitos psíquicos das alterações
estruturais somáticas.
O transtorno psicossomático nos coloca
no dilema do abandono do psique-soma a favor das cisões
múltiplas do ego.
A hipótese das múltiplas cisões
do ego redundam numa imagem visual fugaz de pedaços
que aparecem e somem como recurso para negar uma psicose.
Com as dissociações múltiplas,
o paciente tem, no fundo, confusões mentais encobertas
pela seqüência hipocondríaca, através
da qual, cada fragmento de cisão corresponde à
um transtorno, ou seja, de um espasmo coronariano translada-se
para um eczema e deste para uma enterocolite, que abre caminho
para uma artrite reumatóide e assim sucessivamente
ao repicarem os fragmentos das cisões entre si.
A comparação grosseira das
cisões do ego seria como uma maquina de cortar batatas,
pepinos, abobrinhas, etc. formando pedaços prontos
para fritar.
Teríamos a pessoa com uma figura cortada
em uma serie de pedaços para fritar e em cada fragmento
um transtorno sendo incapaz de considerar o todo.
Nas cisões a devastação
da personalidade é enorme perdendo-se de vista o aspecto
sintetizador pela massa abundante de elementos fragmentados,
bem como ocorrendo sacrifício do conhecimento.
O portador de transtorno psicossomático
usa um superego assassino com ataques destrutivos provocando
múltiplas cisões. O paciente parece rebelar-se
contra ele próprio, mas ele é o delinqüente
opondo-se à sua moral, à sua ética, destruindo
o senso comum e atacando a sua própria vida.
Nesse processo um superego assassino torna-se
cada vez mais persecutório por provocar cisões
cada vez menores como massa de minúsculos grãozinhos
indigestos e não assimiláveis.
Por similitude, ao se fragmentar um ponto
de vista, em pedacinhos, corre-se o risco de somar pequeninas
afirmações desagradáveis e acarretar,
no final, uma situação muito perturbadora.
O paciente com transtorno psicossomático,
ao longo de tratamento psicodinâmico, pode preencher
as lacunas provocadas pelas cisões por "próteses"
ricas em imaginações criativas. O paciente primitivamente
se comunica através dos sintomas, no fundo a sua arte
e posteriormente em função de ajuda, pode conceber,
gerar, dar novo uso às coisas já existentes.
São os "artefatos protéticos" as criações
para preenchimento de vazios, bases de sua recuperação.
Em outros termos, cabe a presunção que a síntese
dos fragmentos ocorreria na posição esquizoparanóide,
trazendo à luz a posição depressiva.
Tal síntese seria efetuada pelo trabalho onírico,
ou seja, como avança BION, (3) "um material inconsciente
estaria sendo transformado em sonho e que esse trabalho precisa
ser desfeito
para que o sonho, até então incompreensível,
fosse compreensível".
Imagem da cisão
Em pretensão audaciosa, por hipótese, seria
possível reconhecer a cisão no cérebro
humano.
Considerem-se os nossos recursos pelas células
nervosas que se ligam pelas sinapses e as percepções
que ganhamos pela visão, audição, olfação,
gustação e tato. E sabido, que a percepção
começa nas células receptoras tanto centrais
como periféricas sensíveis a diferentes estímulos.
Como a maioria das entradas sensoriais são
percebidas por estímulos específicos, cabem
às vias sensoriais conectar o receptor na periferia
com a medula espinhal, tronco cerebral, tálamo e córtex
cerebral.
O cérebro registra nossas percepções
do mundo externo através do processamento paralelo
de informações por todos os nossos sistemas
sensoriais.
Dessa maneira, o cérebro construiria
uma representação interna dos acontecimentos
físicos externos depois da analise de seus componentes.
O cérebro, ao varrer o campo visual,
procede a avaliação de todas as características
dos objetos como forma, movimento, etc. compondo a imagem
da cisão, de acordo com as regras do próprio
cérebro.
E a integração da ciência
neural cognitiva.
Utilização de outros aspectos do superego:
A superação da rivalidade
O paciente deste caso clínico e Antonio utilizando
outros aspectos fundamentais do superego, tais como:
I. Seguindo a vida com o Pai, obedecendo-o; 2. Enfrentando o Pai, quando se apresenta
como obstáculo a seus desejos básicos; 3. Pedindo emprestado a força do Pai
para reprimir, dentro de si próprio, o Complexo de
Édipo ; 4. Dispondo de sua natureza muito diferenciada,
de sua autoridade, de sua moral, de sua voz e de sua capacidade
para ajuizar suas ações na sociedade poderiam
superar a rivalidade existente entre eles!
Advertência
O transtorno psicossomático é muito complexo
pela gênese, pela natureza das cisões egóicas
e pelo labirinto de seus mecanismos de defesa e é lamentável
que existem em diferentes especialidades, agentes terapêuticos
desligados da realidade, ineptos, esquizóides, sem
preparação, sem responsabilidade... porque se
julgam capazes de cuidar de um... pedacinho, de um fragmento
da multidão de cisões da organização
egóica dessa perturbação desafiante do
ser humano.
Até quando despreparados vão
continuar a enganar pacientes portadores de transtomos psicossomáticos?
*************** Summary
Starting from clinical material, the Author begins his comments
considering the superego as a revolutionary instance with
powerful impulses of the id against primitive objectic choices.
He understands the superego as a murderer aggressor that causes
psychosomatic disturbances for the multiple egoic scissions,
each one of them corresponding to an organized defense that
sorts out psychic conflicts from the structural somatic disorders.
*************** Unitermos
Superego, impulsos do id, escolhas objetais, agressor assassino,
cisões múltiplas.
*************** Referências
1. Arlow, J. (1982) Problems of the sueprego
concept, psychoana\ytic study of the child, New Haven, Yate
University Press. 2. Beres, C. (1958) Vicissitudes of superego
functions and superego precursors in chitdhood, psychoanalytic
study of the child, New Haven, yale University Press. 3. Bion, W .R (2000) Cogitações,
pg. 57, Ed. Imago. 4. Freud, A. (1936) The ego and the mecanismos
of defense, the Writings of Anna Freud, org. de Anna Freud,
New York, International Universitics Press. 5. Freud, S. (1923) The ego and the id, Standard
Edition of the Complete Psychological Words of Sigmund Freud,
ed. By James Strachey, London, Hogarth Press and the Institute
of psychoanalysis, 19:3-66 6. Freud, S. (1930) Civilization and its
discontents, Standard Edition of the Complete Psychological
Words of Sigmund Freud, ed by James Strachey, London, Hogarth
Press and the Institute of psychoanatysis 23:59-145. 7. Furer, M ( 1972) The history of superego
concept in psychoana\ysis, in Moral value and the Superego
Concept in psychoana\ysis, org. S.C. Post, New York, Int.
Univ.Press, 11-62. 8. Jacobson, E. (1964) The self and the object
world, New York, International Univ.Press.
***************
*Trabalho apresentado no Curso Continuado de Psicossomática
-Nível Avançado do Instituto de Psicossomática
de São Paulo em 22 de abril de 2002 -São Paulo
-Capital
**Professor do Instituto de Psicossomática de São
Paulo. Membro do International College of psychossomatic Medicine.
Membro da Intemational Psycho-Analitical Association. Fundador
e ex-presidente da Associação Brasileira de
Medicina Psicossomática