Os significados dos sintomas
para o paciente, para o médico e para o especialista
são, em via de regra, diferentes. Há entre eles
discordâncias. Se ocorrer uniformidade, ela o será
de caráter passivo, porque cada um tem o seu código.
O próprio paciente faz, sobre os seus
sintomas, investimentos de significados muito variáveis,
em função das circunstâncias de sua vida.
Em primeiro lugar, procura não indagar os significados
sentimentais de seus sintomas, não refletindo sobre
si mesmo e muito pouco sobre seus conflitos com os outros.
Volta-se para o reducionismo, com o registro da casualidade
linear: frio, calor, chuva, umidade, localização
geográfica, ingestão alimentar ou medicamentosa,
enfim, uma multiplicidade de fatores facilmente observáveis
no mundo externo.
O clínico, embora procure ter visão
ampla observando os seus pacientes, tem uma teoria na sua
mente, seja de quem for, rechassa o que lhe perturba, seleciona
o que interessa, pesquisa suas hipóteses, mas não
deixa de eliminar o que não corresponde ao seu código.
O especialista, este ou aquele, o psiquiatra,
o psicanalista, etc., repetem, em seus campos específicos,
o mesmo tirocínio: seleção, rechasso,
eliminação, etc., para o enquadre em seus códigos.
Todos são capazes de elaborar trabalho
científico, proceder seria investigação,
sintetizar conclusões de avanços de conhecimentos
e utilizar, em cada setor, expressões da língua
para exteriorizar o que sentem e o que pensam.
Lamentem-se observações clínicas
distantes dos episódios da vida, com numerosos conflitos
não resolvidos albergados no mundo inconsciente.
Não importa apenas o desaparecimento
dos sintomas com a descoberta como a pessoa adoece, mas porque
e como fracassou em sua adaptação à vida.
Com códigos tão diferentes,
fazemos de conta que nos entendemos. O objetivo da integração
é idealização, é quimera, pois
as correntes de anabolismo e catabolismo, construção
e desintegração, ilusão e desilusão
não correm paralelas, periodicamente se encontram,
em oposição, para dominância.