Segundo a hipótese
original de Donald Woods Winnicott, em 1951, a criança
passa de um estado de fusão, onde o bebê está
fundido com a mãe para, depois de intervalo de 4 meses
à 1 ano, a outro estado, onde começa fazer uso
dos dedos e punho, com o objetivo de exaltar a zona erógena
oral e diminuir a ansiedade.
Nesse intervalo se desenvolvem os fenômenos
transicionais, quando a criança procura tranqüila
união com a mãe, utilizando representações
simbólicas. Assim, a mãe é representada,
para agradável vínculo com o bebê, por
lençol, fronha, travesseiro, babador, bonecas, cobertor,
ursinho, etc., qualificados como objetos transicionais.
O objeto transicional decorre da projeção,
do que o bebê introjetou da mãe. É controle
de manipulação e sobretudo posse, com direitos
sobre ele. Representa simbolicamente o seio, permitindo relação
afetuosa com o objeto, às vezes amado e às vezes
odiado, suportando e sobrevivendo à mutilação.
O objeto transicional oferece a oportunidade
de experimentar o NÃO EU, bem como a distinção
entre fantasia e realidade. A criança desenvolve imaginações
e criações.
Aos poucos, pode perder o seu significado,
pois os fenômenos transicionais se tornam difusos e
se espalham entre a realidade psíquica e o mundo exterior.
Portanto, ele é gradativamente descatexizado, mas não
é esquecido, chegando a se transformar em fetiche ou
amuleto.
Sendo permitido pelos pais, levado para viajar,
pode-se pressupor mais tarde, quando em tratamento, retirar
do consultório objeto para defendê-lo contra
ansiedade, proporcionando tranqüilidade. Este acontecimento
não é raro e muitos, em clínica, podem
descrevê-lo.
O objeto transicional pode reaparecer na
idade adulta. Senhora casada, esposa de médico, mãe
de três filhos, quando em análise comigo, em
situação frustrante, levanta-se do divã,
procura sua bolsa, abre-a, tira uma chupeta, coloco-a na boca
e volta a deitar-se. Outra senhora, minha paciente, ao redor
dos 60 anos, mãe de seis filhos, à noite, na
cama, só pode adormecer se colocar na boca uma chupeta.
O objeto transicional, na vida adulta, transformado
em fetiche, pode ser usado na vida sexual como objeto pervertido.
Nessa altura, o indivíduo não tem amor à
outra pessoa, mas “amor” a si próprio,
com a particularidade de “amor” ao amuleto, objeto
de seu uso.