São de domínio
popular, movimentos de órgãos visíveis
expressando algo significativo, em lugar de palavras: olhar
de soslaio, nariz torcido, língua de fora, queixo caído,
mãos tremendo, pés batendo, polegar para cima,
dedos em V, etc.
Impulsos derivados da mente, partindo do
mundo inconsciente, vão se insinuando na consciência,
estimulando, motivando, animando tanto episódios predominantemente
somáticos como predominantemente psíquicos.
Os exemplos abordados conduzem, de forma
específica, ao entendimento de manifestações
somáticas mescladas com significados simbólicos
psíquicos, integrantes de nossa conversação
e equivalentes da vida habitual.
A energia libídica, energia de vida
é investida em fonte comum: zona erógena e,
como tal, perturba a função fisiológica
do órgão (expressão somática)
como também mobiliza o significado do afeto (expressão
psíquica).
A mesma fonte, aparentemente dividida em
duas, se liga pela linguagem. Esta, deriva do órgão
que ocupa a cavidade bucal: a língua. O falar é
meio expressivo através de sons, ou seja, uso particular
da linguagem.
Assim, surgiu linguagem escrita, linguagem
dos sinais, linguagem dos órgãos, onde a palavra
inclui sentido direto como também figurado: uma causa
em dois canais.
Uma injúria, uma ofensa, uma traição
pode produzir dor fulgurante no coração. Através
de atritos do soma (coração) com o psiquismo
(injúria, ofensa, traição) surge o impulso
instintivo. Este, tem descarga pelo afeto.
Assim, a emoção resultante
tem indeterminismo implícito. Não se conhece
a sensação somática e nem tão
pouco a expressão psíquica. Ambas, ainda se
encontram no mundo inconsciente, onde há influências
recíprocas.
De repente, a mesma causa abre na consciência
dois canais: de um lado, a manifestação somática
explícita (dor no coração) e de outro,
a manifestação psíquica explícita
(injúria, ofensa, traição). Agora, a
linguagem popular, a figura lingüística une o
que estava separado. É o processo do homem.