Ansiedade é estado afetivo caracterizado por incompreensão,
insegurança, incerteza e insatisfação
ao se entrar em uma experiência que não pode
ser evitada. Sua raiz é predominantemente psíquica.
É relação com o desconhecido e portanto,
sem objeto.
Angústia é estado afetivo quando se reprime
demanda de energia de vida aparecendo sinal de alarme,
que põe em jogo nossa capacidade inata de ter medo,
ante perigo iminente e indeterminado. Sua raiz é
predominantemente física por gerar inúmeras
reações neuro-vegetativas (taquicardia,
bradicardia, taquipnéia, bradipnéia, relaxamento
muscular, contração muscular violenta, secura
da boca, sudorese, palidez, vermelhidão, etc.)
A referência ao predomínio físico
não exclui aspectos psíquicos de estreiteza
de limite, redução de tempo e espaço,
sofrimento, tormento, aflição, etc., culminando
com a disposição afetiva pela qual ao homem,
segundo Heidegger, se configura o nada absoluto.
Estresse é termo extraído do conceito da
Síndrome Geral de Adaptação de Hans
Selye, publicado em 1946, onde o organismo responde à
uma grande variedade de tensões com mecanismos
fisiológicos de defesa que, essencialmente dependem
da integridade do córtex da supra-renal, cuja excessiva
atividade é responsável pelas Enfermidades
de Adaptação.
Hans Selye descreve um agente não específico
que libera produtos do catabolismo nos tecidos provocando
uma reação de alarme, constituída
por duas fases: choque e contra-choque.
Na fase de choque há o registro de taquicardia,
diminuição do tônus muscular, diminuição
da temperatura corporal, úlceras gastroduodenais,
hipocloridria, hemoconcentração, leucocitose,
leucepenia, hiperglicemia, hipoglicemia e descarga da
epinefrina na glândula supra-renal.
Na fase de contra-choque desenvolve-se produção
do lóbulo anterior da hipófise pela segregação
do hormônio adreno córtico trópico
que estimula secreção da córtex em
pequeno excesso.
Com esse excesso, os hormônios corticais alcançam
o máximo, desenvolvendo-se a fase da resistência.
Segue-se a fase final da exaustão que causa enfermidades
de adaptação: hipertensão, nefroesclerose,
lesões miocárdicas, artrite, etc. O organismo
sofre pelo aumento de suas próprias resistências.
A reação hipófise-suprarenal é
simplesmente um anel, embora muito importante, de uma
cadeia de reações muito complexas. O alarme
parece ser elemento essencial. Procurou-se relacionar
os fenômenos de choque, descritos por Selye, com
certos transtornos mentais, que se acompanham, por similitude,
de desordens biológicas: delírios e estados
confusionais.
Por analogia, se criou o termo estresse, em medicina,
para designar uma reação não específica
do organismo à uma agressão qualquer. Pormenorizou-se
o conceito de estado de tensão aguda do homem obrigado
a mobilizar suas defesas para fazer frente à uma
ameaça, perturbadora de seu equilíbrio.
Pânico (do latim “panicu”, do grego
“panikon” causado pelo deus Pã) seria
terror repentino, sem fundamento, provocando reação
desordenada, individual ou coletiva, de propagação
rápida. É fenômeno observável
em qualquer pessoa, dependendo das condições
e circunstâncias do momento.
O pânico reconhece causa emocional, acarretando
mudanças de comportamento, sintomas e, por conseqüência,
alterações bioquímicas. É
ocorrência comum em Clínica Médica,
com inúmeras doenças alertadas em funções
de reações e defesas do sistema nervoso
central.
No meio de tantos sofrimentos “cria-se” iatrogenicamente
novo rótulo, entre 1980 à 1986, “Síndrome
do Pânico”, ao qual muitas pessoas se agarram
como mecanismo de defesa mascarando, como se faz com a
depressão, um caldeirão vulcânico
de muitas doenças de domínio clínico.
A “Síndrome do Pânico” é
uma angústia, cuja forma se apresenta agudamente,
com grande desproporção de circunstâncias,
medo acentuado por perigo iminente para integridade do
processo do homem.
É estado afetivo com sinal de alarme, pondo em
jogo perigo de ameaça desconhecida, com os mais
diversos sintomas.
Com a repetição desta angústia,
o psicossoma, ameaçado por desequilíbrio,
convoca a mente para reorganizar a harmonia do homem.
Fracassando nesse propósito, surgem conflitos emocionais
que deflagram alterações de comportamento
e sintomas, acompanhados de inúmeras alterações
bioquímicas: catecolaminas circulantes, sistema
G.A.B.A. benzodiasepínicos, hiperatividade noradrenérgica,
metabolismo do lactato, alterações de quimioreceptores,
supersensibilidade dos receptores de serotonina, etc.
Valentim Gentil, entre nós, tem demonstrado, com
apreciável e volumosa literatura, conseqüências
bioquímicas indiscutíveis. Ressalte-se,
a meu ver, tratar-se de angústia em decorrência
de perda de controle, medo de enlouquecer e terror pela
morte.
Lamentavelmente, passa-se a dar exagerado valor às
conseqüências bioquímicas, omitindo-se
pesquisas dos conteúdos psíquicos, uma vez
que o genuíno psíquico, o inconsciente,
comanda a vida. Bioquímica é conseqüência.
Susto é medo repentino provocando sobressalto.
No susto há objeto, pois ocorre em virtude de notícias
ou fatos imprevistos.