5 - Dedução Correta
e Especulação em Ciência - Carlos Laganá
de Andrade
Carlos
Laganá de Andrade -
Médico Psiquiatra/Psicoterapeuta. Ex-Professor
Assistente de Psiquiatria e Psicologia Médica da
Faculdade de Ciências Médicas de Santos.
Presidente do Comitê Multidisciplinar de Medicina
Psicossomática da Associação Paulista
de Medicina.
Dedução é a conseqüência
extraída de um raciocínio.
Raciocínio
é a nossa faculdade intelectual através
da qual formamos uma opinião ou juízo.
A operação mental chamada raciocínio
elabora elementos fornecidos à consciência
e dessa operação extrai uma dedução.
Um raciocínio pode ser correto e mesmo assim a dedução
obtida através dele ser incorreta.
Um raciocínio é correto quando sua mecânica
ocorre sem erro na confrontação dos dados
fornecidos. Esses dados podem ser verdadeiros ou falsos.
Se trabalhar com dados falsos, um raciocínio - embora
correto - levará à uma dedução
incorreta ou falsa.
Ciência é o conjunto de conhecimentos baseados
em dados corretos (ou seja: em fato, quando o dado é
comprovado pela experimentação bem elaborada;
e em dedução correta, quando o raciocínio
correto elabora dados corretos e extrai disso uma conseqüência
exata).
Assim sendo, a Ciência só aceita dedução
correta.
A dedução correta é a conseqüência
extraída de um raciocínio correto elaborado
sobre dados verdadeiros (corretos). Porém, como nem
todos os dados são verdadeiros (corretos), o raciocínio
pode extrair de sua elaboração três
conseqüências:
1º)
Dedução Correta (quando a elaboração
de dados verdadeiros levam à verdade ou acerto);
2º)
Dedução Possível de Ser Correta tanto
quanto de Ser Incorreta (quando os dados são duvidosos,
mas levam, à suposição da verdade):
3º) Dedução Incorreta (quando os dados
são falsos e levam a erro).
Destas conseqüências, a Ciência aceita
a primeira (Dedução Correta), admite sob condições
a segunda (Dedução Possível de Ser
Correta ou Incorreta) e rejeita a terceira (Dedução
Incorreta).
Pedindo auxílio à Filosofia, chamemos com
sua nomenclatura as conseqüências, expostas em
conceituação, de:
1º) Dedução Correta è Silogística
2º) Dedução Possível de ser correta
ou não è Hipotética
3º) Dedução Incorreta è Sofismática
Deste modo, em homenagem às origens, a Ciência
aceita deduções extraídas de um raciocínio
que tenha se formado em Silogismo (método Aristotélico
de obter conseqüência correta ou conclusão
acertada de um raciocínio), admite sob condições
uma Hipótese e rejeita inteiramente um Sofisma.
Como o Sofisma leva à uma dedução falsa
com aparência enganadora, pretendendo ser verdadeira,
foi necessário o estabelecimento de regras específicas
capazes de diferenciar uma dedução silogística
(a correta) da dedução sofismática
( a incorreta). Coube a Aristóteles estabelecer tais
regras: as regras do Silogismo (deu o nome de “silogística”
à dedução correta).
Para atingirmos uma dedução, é necessário
que o raciocínio trabalhe no seguinte esquema:
1) É exposto um argumento;
2) É exposto outro argumento;
3) Do confronto entre ambas as exposições,
extrai-se uma
conclusão = que chamamos dedução.
Mas, para chegar-se à dedução correta,
é preciso que:
1) O primeiro argumento exposto seja algo conhecido e
verdadeiro;
2) O segundo argumento exposto seja algo conhecido e
verdadeiro também;
3) Só assim extrairemos, da exposição
de um argumento em
confronto com a exposição de outro argumento,
uma dedução correta que é a conclu
são extraída do confronto entre argumentos
verdadeiros e conhecidos.
A conclusão extraída assim será óbvia
e irrefutável por qualquer outra argumentação:
será dedução correta por não
permitir no esquema apresentado nenhuma outra opção
do raciocínio.
Na montagem do esquema aristotélico (Silogismo),
dá-se o nome de Premissa Maior à primeira
exposição e o nome de Premissa Menor à
segunda exposição. À dedução,
extraída do confronto das exposições,
chamamos Conclusão.
No Silogismo, portanto, apresentam-se as três partes
do esquema A dentro das exigências apresentadas no
esquema B:
1) Premissa Maior (PM) = (é exposto algo conhecido
e verdadeiro);
2) Premissa Menor (pm) = (é exposto algo conhecido
e verdadeiro);
3) Conclusão (Logo) = (é extraída dedução
correta - verdadeira).
No Sofisma, o esquema é exatamente o mesmo com referência
à disposição das exposições,
mas seu conteúdo não é verdadeiro,
embora aparente ser. Partindo de premissas falsas, conduz
à conclusão incorreta.
Vamos, desta forma, ver que o que realmente importa para
que se chegue à conclusão verdadeira (dedução
correta) num raciocínio é o fornecimento de
Dados Reais ao nosso cérebro que, como um computador,
precisa trabalhar com programação exata, com
Informações Verdadeiras. Caso contrário,
o resultado nos conduzirá ao erro.
Assim sendo, é necessário um acurado estudo
das premissas a fim de sabermos se as exposições
(Dados fornecidos ao raciocínio) irão conduzir-nos
ao Silogismo ou ao Sofisma. Isto é: ao acerto ou
ao erro.
Para tanto, precisamos fazer uso de três regras básicas:
PRIMEIRA:
“As premissas precisam ser verdadeiras e universais”.
Isto é: O acatamento da verdade das premissas deve
basear-se no conhecimento extraído da experiência,
portanto de algo comprovado; e esse fato deve ser comum
e exclusivo a toda a classe (Universo) a que pertença
o elemento dado para o confronto.
É
universal a premissa que permite generalização,
afirmativa ou negativa, a todo o Universo (classe) a que
pertença o elemento dado. Qualquer atributo do elemento
dado para argumentação confrontativa será
inerente a todos os demais elementos que componham o Universo
a que pertença esse elemento.
Há atributos particulares de elemento, ou elementos
pertencentes a um determinado Universo que não se
generalizam a todos os demais elementos desse Universo,
não podendo assim ser utilizados na formação
do Silogismo.
SEGUNDA:
“As premissas precisam ser expostas de forma completa
e com conceitos exatos”.
Isto é: A exposição das premissas não
pode omitir nenhum dado que anule sua universalidade e qualquer
conceito apresentado será comprovado pela experiência
e, só por isso, aceito.
TERCEIRA:
“Os fatos apresentados em ambas as premissas precisam
aludir ao mesmo Universo”.
Isto é: Não pode haver Silogismo quando se
confundem falaciosamente na forma afirmativa, ou na forma
negativa universos diferentes.
Se afirmamos ou negamos algo com referência a um determinado
Universo na premissa maior nada poderemos deduzir, com a
afirmativa ou negativa referente a outro Universo, na premissa
menor.
Exemplos:
Silogismo Clássico:
(PM) Todos os homens são mortais; (fato conhecido
e verdadeiro)
(pm) “X” é homem; (fato conhecido e verdadeiro)
Logo: “X” é mortal. (dedução
correta)
O mesmo ocorre na forma negativa:
(PM) Nenhum homem é imortal;
(pm) “X” é homem;
Logo: “X” não é imortal.
A dedução é silogística porque
não permite refutação. Mas isto porque,
além de fatos conhecidos e verdadeiros, as premissas
se enquadram nas regras apresentadas.
Porém, se analisarmos estas exposições:
(PM) O ser humano é bípede;
(pm) “X” é um ser humano’
Logo: “X” é bípede.
ou
(PM) O ser humano é racional;
(pm) “X” é um ser humano;
Logo: “X” é racional.
O que os impediria de levantar estas objeções
para refutar as deduções obtidas:
1.
Bípede é quem tem dois pés. “X”
perdeu um pé num acidente. “X” deixou
de ser homem após o acidente? Não. Mas deixou
de ser bípede, o que quer dizer que não é
por ser bípede que “X” é humano.
Desta forma, “bípede” é atributo
que não é comum a todos os elementos do Universo
dado, o que faz a pré missa maior deixar de ser universal
e verdadeira, não se enquadrando na primeira regra.
E por que não se enquadra na primeira? Porque desobedece
a segunda: não foi exposta de forma completa.
Correto seria:
(PM) O ser humano normal é bípede;
(pm) “X” é um ser humano normal;
Logo: “X” é bípede.
Somente completando a exposição da premissa
maior e da premissa menor obteremos premissas verdadeiras
e universais, delas extraindo dedução irrefutável
por ser correta.
Da mesma forma, argumentaríamos, em refutação,
que o ser humano normal é racional. Mas há
anormais por acidente, ou constituição que
não são racionais, mesmo assim sendo homens.
Novamente a exposição não foi completa
nem universal. Faltou a especificação “normal”
em ambos os exemplos. Haveria silogismo se disséssemos:
(PM) O ser humano normal é racional;
(pm) “X” é um ser humano normal;
Logo: “X” é racional.`
Percebe-se que não haverá silogismo mas sofisma
sempre que as premissas deixarem de cumprir as regras básicas
da Lógica aristotélica. Por mais que as premissas
pareçam levar-nos à dedução
correta, sem esse cumprimento integral de regras a dedução
será incorreta e permitirá refutação,
isto é: a conclusão será passível
de anular-se por outra opção do raciocínio.
Às vezes o argumento nos salta à vista como
falso, tornando fácil a detecção do
sofisma. Mas nem sempre isso acontece.
Em:
(PM) Todos os homens são loiros; (verdadeiro? Não:
falso)
(pm) Eu sou loiro; (verdadeiro)
Logo: Eu sou homem. (dedução incorreta)
Fica patente de imediato o erro: ninguém ignora que
nem todos os homens são loiros. Ser loiro não
abarca todo o Universo “homens”, sendo particularidade
de alguns elementos que apenas compõem esse Universo.
Já em:
(PM) Todos os homens são vertebrados; (verdadeiro)
(pm) Eu sou vertebrado; (verdadeiro)
Logo: Eu sou homem. (dedução incorreta)
Ainda que o autor do raciocínio acima seja de fato
um homem, seu raciocínio será sofismático:
ele não é um homem pelo fato de ser vertebrado.
Embora todos os seres humanos sejam vertebrados, outros
animais - não pertencentes, portanto, ao Universo
humano, também são vertebrados, não
havendo exclusividade do atributo “vertebrados”
ao Universo humano. Essa falha do raciocínio permite
que alguém diga, em refutação: “Se
você é homem por ser vertebrado, meu gato o
é também, desde que também é
vertebrado:
(PM) Todos os homens são vertebrados;
(pm) Meu gato é vertebrado;
Logo: Meu gato é homem...”
Apesar de, com esta forma, a refutação ser
mais sofismática ainda: o “Universo”
da premissa maior (homens) nada tem com o “Universo”
da premissa menor (gatos) que convive com o raciocínio
lógico. Está-se a dar especificação
comum a dois Universos diferentes, ou seja: dá-se
a especificação “vertebrados”
que é comum ao Universo dos homens e ao Universo
dos gatos; esta razão da especificação
repetir-se na premissa menor, após declarada na premissa
maior, coisa que jamais ocorre no silogismo, é ocorrência
do mesmo erro observado no exemplo que originou essa pseudo-refutação
lógica. A especificação dada na premissa
menor somente repete, em se tratando de silogismo, na conclusão,
na dedução correta.
Para comprovar isto, basta atentarmos para o fato de que
a especificação “mortais” dada,
no “Silogismo Clássico”, ao Universo
da premissa maior (homens) não surgiu na premissa
menor. Isso, acontece porém, sempre que ambas as
premissas estiverem na forma negativa ou na forma positiva,
não acontecendo no caso de uma afirmar e a outra
negar:
(PM) Baleias são mamíferas; (forma afirmativa)
(pm) Peixes não são mamíferos; (forma
negativa)
Logo: Baleias não são peixes.
Chamemos a atenção para isto com a intenção
de evitarmos eventual confusão entre silogismo e
sofisma. Na verdade, no exemplo acima (como em todo exemplo
similar), a repetição da especificação
é apenas aparente, não ocorrendo na realidade.
A negativa de uma especificação não
é a especificação, ao contrário,
é a anulação dela.
Para encerrarmos esta parte, vejamos exemplo de sofisma
apresentado à guisa de enganar:
(PM) O cão ladra;
(pm) O cão é uma constelação;
Logo: Uma constelação ladra.
Aqui não existe paralogismo (sofisma involuntário),
mas realmente uma falácia (argumento falso com intenção
de lograr.
Que o cão ladra, sabemos. É verdadeiro e universal
(todos os cães ladram). Mas a premissa menor, independentemente
de se referir a outro Universo, é mentirosa. O cão
não é uma constelação. É
o nome dado a uma constelação, como tantos
nomes de coisas e pessoas foram dados às constelações.
Portanto, confundimos propositadamente o Universo da premissa
maior (que é uma espécie animal) com o Universo
da premissa menor (que é o das nomenclaturas).
Bastaria dizermos a verdade e a conclusão será
impossível:
(PM) O cão ladra;
(pm) Cão é o nome dado a uma constelação;
Pergunta: E daí?
Seria difícil concluirmos: Logo: o nome dado a uma
constelação ladra! Nenhum nome ladra.
Especulação é uma investigação
teórica baseada na observação e nas
indagações que podemos fazer sobre essas observações.
Tais indagações são levantadas por
incertezas. Quando se obtém dedução
correta, já se sabe... e não há mais
razão para perguntar nada. Especulação
é dúvida; a dedução correta
é certeza.
A Ciência precisa aceitar a certeza, mas não
pode deixar nunca de valorizar a dúvida. Está
claro que só valoriza aquela que pela própria
definição, alicerça-se na observação
bem feita a ponto de levantar indagações.
Os dados fornecidos pela observação deverão
possuir similitude com outras anteriores experiências
cujas conseqüências já são conhecidas.
Similitude não é igualdade, embora dela se
aproxime. Quanto maior for a aproximação de
semelhança entre algo observado e algo conhecido
pela experiência, mais poderemos admitir que o resultado
observado seja o mais semelhante ao resultado do experimentado.
Deste modo, a partir do estudo teórico dessas aproximações,
podemos levantar suposições com respeito ao
ainda desconhecido a partir de dados que o cercam com os
dados de algo já conhecido.
Neste caso, Especular seria levantar suposições.
De uma suposição não se obtém
qualquer certeza. Trata-se de uma dedução
provisória e apriorística, sempre carente
de comprovação a posteriori para poder demonstrar-se
acertada.
Só entenderemos melhor a aceitação
de uma suposição feita pela Ciência,
sob reservas, se definirmos os termos “possibilidade”
e “probabilidade”, dois vocábulos de
sentido diferentes mas muito confundidos pelos falsos comunicadores.
Possibilidade é a quantidade de possível.
E Provável é o que se pode provar. Provar
é demonstrar a existência, a realidade de algo.
O provado É, o Não apenas pode ser.
Uma suposição será sempre baseada numa
probabilidade, mas só será correta se demonstrar
seu acerto perante prova de correção, sempre
que a possibilidade compreenda também a probabilidade.
Talvez se indague: “Mas deixaria uma suposição
de ser correta, quando possível, só por não
ser provável?” não, em termos filosóficos;
mas em termos científicos, sim. Sempre que alguém
disse à Ciência que algo é possível,
receberá a sua réplica: “Prove”.
Esta prova exigida não necessita ser exclusivamente
experimental; pode ser silogística em termos aristotélicos.
Por isso Renan pôde dizer: “Sócrates
e Platão nos deram a Filosofia; Aristóteles
nos deu a Ciência”.
Todos os enunciados da Filosofia são especulativos.
No instante em que puderem ser provados, serão enunciados
que se deslocarão da Filosofia para integrarem a
Ciência; e os que nela permanecem por falta disso
serão improváveis embora possíveis;
continuarão a ser filosóficos, mas não
científicos. Foi desta maneira que as nossas ciências
se formaram a partir da Filosofia. Esta a razão da
Ciência valorizar a especulação filosófica,
seu berço.
A Ciência trabalha com fatos. E fato é o provado.
Todavia, sempre que surja uma especulação
da qual se levantam suposições, isto estimula
o progresso. A Ciência quer conhecer tudo que é.
Se algo pode ser, ela buscará saber, com os recursos
disponíveis, se essa especulação é
provável além de possível. Usará
da suposição para dela tirar uma conclusão
provisória e apriorística: isto é,
estabelecerá uma Hipótese. A Hipótese
será uma dedução preliminar que pode
ser tanto correta como incorreta.
Hipótese de uma possibilidade provável será
para a Ciência uma Hipótese de Trabalho e a
suposição que contém será posta
à prova da experiência, a fim de ser comprovada
ou anulada. Se comprovada experimentalmente, a suposição
passará a ser fato. E, como dissemos, a Ciência
trabalha com fatos.
Diferenciemos, portanto, a especulação válida,
possível de ser utilizada pela Ciência através
da elaboração de hipóteses de trabalho,
da especulação tola de onde resultam atitudes
cotidianas entre ignorantes temerários:
Paulo sarou de suas dores de cabeça com este remédio;
Logo, João há de sarar de suas dores de cabeça
com este mesmo remédio.
Alexandre Fleming estava cultivando colônias de bactérias
e observou que elas morriam em torno de uma mancha de bolor
formada casualmente. Investigando o novo fato, reconheceu
os fungos do gênero Penicillium. Por analogia, supôs
que, se o bolor destruía as bactérias na cultura”in
vitro”, poderia ser usado como medicamento no combate
à doenças do corpo vivo.
Nem por isso, Fleming deu sua cultura para que Paulo ou
João bebessem. Levantada uma Hipótese de Trabalho,
foi ela exaustivamente posta à prova de experimentação,
com utilização de cobaias não humanas
de início, estatísticas foram elaboradas depois,
até atingirmos o antibiótico hoje conhecido
como “penicilina”.
A analogia só permite elaboração da
hipótese:
H = Se penicilina mata essas bactérias “in
vitro”, pode ser que ataque bactérias iguais
no corpo humano.
Apenas depois da demonstração, mostraríamos
o silogismo:
(PM) Penicilina ataca bactérias no ser humano;
(pm) “X” é um ser humano;
Logo: Penicilina ataca bactérias em “X”.
Não se pode montar a exposição abaixo
como silogismo:
(PM) O macaco foi curado com o soro “tal”;
(pm) O homem se parece com o macaco;
Logo: O homem há de curar-se com o soro “tal”.
Isto é um sofisma.
Não só os Universos são diferentes
(o Universo dos macacos não é o mesmo do ser
humano), como ainda se baseia em mera similitude entre o
macaco e o homem. Não há silogismo com analogias.
Pelas semelhanças, só extraímos hipóteses:
H = Se o macaco foi curado com o soro “tal”
pode ser que o homem se cure com o soro “tal”
por parecer-se com macaco.
Se a experimentação comprovar que soro “tal”
cura seres humanos, a presença do macaco é
totalmente dispensável. Ele só serve para
observação propiciadora de uma suposição
analógica. Diremos, então:
(PM) O soro “tal” cura homens;
(pm) “X” é homem;
Logo: O soro “tal” cura “X”?
Não. Para a Ciência isto é pouco. É
necessário saber o que esse soro “tal”
cura em homens. Se ele cura ignorância comprovadamente,
então sim, podemos concluir silogisticamente:
(PM) O soro “tal” cura a ignorância dos
homens;
(pm) Eu sou homem;
Logo: O soro “tal” cura minha ignorância.
Que pena qua ainda não inventaram esse soro!
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